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A Inteligência Artificial pode encontrar a cura do coronavirus?

28/02/2020 Posted by Data Science, Pessoas, Tecnologia, Tendências 0 thoughts on “A Inteligência Artificial pode encontrar a cura do coronavirus?”

Iniciativas baseadas em machine learning e open data buscam combater o vírus.

Com a atenção mundial voltada para a disseminação do coronavirus, a comunidade científica busca todo tipo de suporte para combatê-lo. É a hora para novas tecnologias provarem seu valor em campo, mas os esforços recentes mostraram apenas seus limites e algumas possibilidades.

O resultado de maior repercussão foi a ferramenta de inteligência artificial que primeiro disparou o alerta, muito antes das autoridades de saúde. Falamos dele aqui, mostrando como ainda em 31 de dezembro do ano passado o sistema da healthtech canadense BlueDot enviou a seus clientes um alerta de possível doença em regiões onde o coronavírus se manifestou. E mais. Ainda foi capaz de antever alguns dos primeiros destinos para os quais a enfermidade foi “exportada”: Seul, Taipei, Tóquio e Bangkok.

Entretanto, vale dizer que o alerta não foi capaz de identificar com clareza o grau de risco da doença e que, apenas algumas horas antes, de forma independente, um grupo de monitoramento, formado por médicos e pesquisadores voluntários, já preparava um alerta.

O BlueDot é uma ferramenta de machine learning, e, como todo sistema do tipo, depende do volume e da qualidade de dados disponíveis. Esse é um limite para as ações atuais. Epidemias como a do Covid-19 disseminam-se de forma rápida e dispersa em grandes áreas, dificultando a coleta e a interpretação de dados.

A identificação do surto é crucial, mas as novas tecnologias atuam em outras formas de combate. A principal delas, é claro, é a busca por algum tipo de cura. Há diferentes estratégias em curso. A Insilico Medicine, em Hong Kong, é uma empresa focada no uso de ferramentas de Inteligência Artificial e Deep Learning para a descoberta de tratamentos para doenças diversas. Eles compartilharam com a comunidade científica, recentemente, as estruturas de seis moléculas com capacidade teórica para atacar uma proteína específica do coronavirus.

A Inteligência Artificial foi usada no processo de geração, síntese e teste das estruturas moleculares e mais de 100 foram desenvolvidas e submetidas ao programa, restando as seis mais promissoras. “Nós encorajamos a comunidade científica a avaliar as moléculas e considerar a possibilidade de sintetizá-las para teste”, disse o CEO da Insilico, Alex Zhavoronkov.

Importante ressaltar que a sequência de DNA do vírus já foi identificada e tornada pública (no GenBank) pela Fudan University, de Shangai. Um pedacinho dele:

 

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Outras iniciativas estão em andamento ao redor do mundo, como o desenvolvimento da vacina pela Sanofi Pasteur, em parceria com a U.S. Biomedical Advanced Research Authority (Barda). Falaremos sobre elas aqui, em breve.

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Crédito da imagem: Pixabay

 

Uma ajuda espacial para a Internet das Coisas (IoT)

21/02/2020 Posted by Tecnologia, Tendências 0 thoughts on “Uma ajuda espacial para a Internet das Coisas (IoT)”

Redes via satélite são promessas de cobertura global para dispositivos IoT.

 

Há cerca de 40 anos um grupo de professores e estudantes de ciência da computação da Carnegie Mellon University incrementaram uma máquina de Coca-Cola instalada no hall da universidade, criando o que pode ser considerado um dos primeiros exemplos de Internet das Coisas (IoT), muito antes até do termo ser criado. Para evitar a frustração de ir até a máquina e encontrá-la vazia ou abastecida com refrigerantes ainda quentes, eles conectaram o equipamento à precursora da internet atual, a Arpanet. Assim eram informados sobre o estoque e a temperatura das bebidas.

Das primeiras tentativas, rudimentares e totalmente dependente de fios, chegamos aos dias atuais com computação na nuvem, Wi-Fi e redes móveis, mas ainda esbarramos em limitações de capacidade de transmissão, velocidade e disponibilidade de rede, como já falamos aqui. E uma das alternativas que podem revolucionar o segmento é a crescente entrada dos satélites no jogo.

A grande vantagem do uso de satélites para integrar dispositivos de IoT é a possibilidade de disponibilizar conectividade global. As redes móveis de celular estão amplamente disponíveis em centros urbanos, mas inexistem em locais com poucos habitantes, inviabilizando aplicações que possam ser úteis em áreas com baixa infraestrutura, por exemplo. Com a iniciativa de várias empresas, sobretudo europeias, de investir em satélites, esse cenário pode mudar.

Luis Jimenez-Tunon, vice-presidente executivo da Eutelsat, mostra que a empresa mira justamente áreas não cobertas pelas redes de celular: “Esses lugares são muito mais comuns do que as pessoas pensam porque as operadoras direcionam seus serviços para pessoas e não para territórios”. E mais: “Também é uma boa solução de backup para aplicativos que exigem maior resiliência”.

Até o final de 2020 a Swarm Technologies pretende lançar 150 satélites para dar suporte a IoT. Outras empresas, como a holandesa Hiber e a norte-americana EchoStar, têm planos de abrir frentes nesse ramo. 

A postura das empresas tendem a ser não de competição com as de redes para celular, mas de complementaridade. O sistema da Eutelsat, por exemplo, permite às empresas de telecomunicações estenderem sua cobertura e viabilizar usos de IoT em regiões fora de sua abrangência. 

Por enquanto os custos da operação de satélites para suporte de IoT são relativamente baixos, o que pode ser outro incentivo para seu fomento. Se hoje o setor não chega a comandar 1% do mercado, a expectativa é que possa dobrar de tamanho em breve, segundo análise de Justin Cadman, sócio da Quilty Analytics, empresa de pesquisa e consultoria.

Créditos da imagem: Free-Photos/Pixabay

Inteligência artificial a serviço do “Ctrl+c Ctrl+v”

19/02/2020 Posted by Tecnologia 0 thoughts on “Inteligência artificial a serviço do “Ctrl+c Ctrl+v””

Ferramentas que alteram textos e driblam detectores de plágio levantam questões éticas acerca do uso da inteligência artificial no meio acadêmico.

 

“Nessa cultura de soluções prontas, onde fica a originalidade? Será que a tendência a longo prazo é o pensamento crítico ser substituído pela inteligência artificial?”. O questionamento é de Julia Baranova, economista russa radicada no Brasil que, ao começar a elaborar um artigo, buscou ferramentas que pudessem auxiliá-la na redação, em inglês. Após pesquisar por “ferramentas para redação de artigos acadêmicos” encontrou, além de sites que padronizam referências bibliográficas e transcrevem áudios, alguns já conhecidos detectores de plágio.  Estes detectores ganharam espaço em um mundo em que o “Control c Control v” tornou-se uma praga (para a infelicidade de seu criador, o cientista Larry Tesler, a quem prestamos nossa homenagem: Ele faleceu dia 17/02.). 

Não foi um detector de plágio o que surpreendeu a economista Julia Baranova, mas sim os serviços de inteligência artificial que fazem exatamente o contrário: “reescrevem” textos de modo a disfarçar a cópia. É isso mesmo. Além de haver sistemas capazes de gerar textos com grande semelhança aos escritos por humanos, como o GPT-2, do qual já falamos aqui, estão disponíveis várias opções de “robôs” que driblam os detectores fazendo paráfrases, substituindo palavras por sinônimos e alterando a estrutura de frases. 

Clever Spinner, Spinbot, Plagiarisma Spinner e Word Spinner são algumas das plataformas encontradas. O último da lista, com versão em português, promete em sua página inicial auxiliar o usuário a “criar textos autênticos para sites ou trabalhos acadêmicos”, afirma (no rodapé da homepage) se posicionar totalmente contra o plágio e se exime de responsabilidades relacionadas a qualquer infração à legislação de direitos autorais. Para ilustrar, uma animação de 1 minuto no site conta a história de Felipe, que precisava fazer seu TCC mas não conseguia por falta de tempo para estudar sobre o assunto e escrever. Alerta de spoiler: após conhecer o spinner, Felipe consegue concluir seu trabalho “super rápido” e se formar.

Os resultados demonstrados por algoritmos que geram, editam ou parafraseiam textos impressionam, mas levantam questões de cunho ético. A existência de serviços como os spinners é, na opinião do ex-ministro da Educação, ex-diretor de avaliação da Capes e professor de ética e filosofia política na USP, Renato Janine Ribeiro, não apenas um sinal de desonestidade intelectual, mas também de que existe demanda nesse campo. “Diante das pressões para publicação, abre-se margem para a produção de artigos não necessariamente originais e sem relevância científica. Estamos numa situação de excesso de escrita, de qualidade questionável, e falta de leitura”, comenta em reportagem da Folha de São Paulo. 

Rodrigo Turin, historiador e professor associado da Unirio, completa a crítica: “Estamos vendo a emergência de uma ‘escrita algorítmica’, um modo de produção textual que prescinde dos elementos de criatividade e autoria. Esses programas reatualizam, a seu modo, elementos da retórica: organizam e dispõem uma série de lugares-comuns e ideias prontas em novas combinações, jogando com um critério de verossimilhança pré-estabelecido. Mas, ao contrário da retórica clássica, intencionalidade, inteligência e criatividade agora são terceirizados para um programa de computador”

O caminho que parece ser o mais equilibrado entre o auxílio que as máquinas podem dar na elaboração de um texto e os limites éticos relacionados à autoria é a utilização de ferramentas que, a partir da inserção de material textual elaborado pelo próprio autor, sugiram correções ou apontem melhorias possíveis. 

Para Mariana Rutigliano, gerente de inovação da Turnitin, empresa que desenvolve um software detector de plágio, se a inteligência artificial é um parceiro no processo intelectual e criativo, ótimo. “O ponto negativo é o uso indevido de quem busca respostas prontas. Certamente a construção do conhecimento envolve diálogo com outros autores, a revisão bibliográfica. Mas o autor precisa trazer algo novo e original. Ferramentas não podem ser ‘muletas’”, comenta.

O que alunos e professores devem saber sobre segurança digital

14/02/2020 Posted by Pessoas, Tecnologia, Tendências 0 thoughts on “O que alunos e professores devem saber sobre segurança digital”

Cada vez mais presente nas escolas, internet é uma ferramenta extraordinária, mas traz riscos.

 

Embora lenta, a adoção de novas tecnologias de ensino pelas escolas da rede pública e privada do Brasil avançou na última década. Mais de 90% das escolas públicas contam com acesso à internet, embora nem sempre disponibilizado aos alunos. Os dados são do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação. As escolas privadas estão na frente e, apesar de que apenas 47% tenham laboratórios, a maioria faz uso efetivo dos sistemas disponíveis.

A infraestrutura de acesso ao computador e à internet são apenas um passo e, ao redor do mundo, estão em andamento centenas de experiências de aplicação nas salas de aula das novas tecnologias de comunicação e informação. Mais e mais a relação entre professores e alunos é mediada pela rede. E, portanto, está sujeita a problemas que vão de simples mau uso (mas com efeitos devastadores) à ataques de cibercriminosos. Entre os riscos mais conhecidos estão:

  • Wi-fi não-seguro: Muitas redes disponibilizadas em escolas são tão vulneráveis como redes públicas de cafés, aeroportos ou praças. Algumas utilizam tecnologia pré autenticação PSK, facilitando o acesso de pessoas não-autorizadas a qualquer dispositivo conectado à rede.
  • Práticas obsoletas de proteção: A segurança digital das instituições de ensino é tão forte como seu elo mais fraco. Um simples software não atualizado pode permitir a invasão de um computador e, por ele, cibercriminosos acessam o restante da rede.

Nos Estados Unidos, o FBI divulgou uma lista de ações a serem seguidas pelos responsáveis pelas escolas, pais e estudantes. As instituições devem, como primeira ação, identificar quais informações estão em sua posse, hierarquizando o que é estratégico e sigiloso, como os dados pessoais dos alunos, assim como suas notas, por exemplo. Além de alinhadas com as regras da Lei Geral de Proteção de Dados, as práticas de segurança devem ser constantemente reavaliadas.  Atividades suspeitas devem ser monitoradas e as contra-ações decididas previamente, com a elaboração de um plano de respostas a incidentes.

Os pais devem participar das ações de proteção, afirma a especialista Emily Kowalsky. Ela reforça a importância de efetivamente verificar se o celular ou notebook do filho está atualizado e com sistemas ativos de proteção (firewalls e antivírus). Mesmo jovens, os alunos devem saber reconhecer um ataque de phishing, por exemplo, ou uma rede não segura. Um pai deve ter acesso às senhas dos filhos menores e consultar o histórico de navegação com frequência.

O compartilhamento de informações pessoais no ambiente escolar é um risco efetivo e muitas escolas desenvolvem campanhas de prevenção. A foto ou comentário compartilhada em privado com o colega vira um caso de grande repercussão ao vazar para o grupo de colegas. O mesmo vale para professores.

A internet é uma extraordinária ferramenta de aprendizagem, divertimento, lazer e interação, mas esconde seus perigos, em casa, no trabalho, e com certeza na escola. Vale ficar atento.

Um anel para tudo controlar

11/02/2020 Posted by Tecnologia 0 thoughts on “Um anel para tudo controlar”

Dispositivo desenvolvido na Universidade de Washington aumenta as possibilidade de interação com computadores e celulares e auxilia no controle de enfermidades. 

 

Smartphones estão em todos as mãos e já não é difícil encontrar nos pulsos de várias pessoas um elegante relógio inteligente que informa muito mais do que apenas a hora certa. Em meio a toda essa tecnologia, cada vez mais nova e surpreendente, o bom e velho mouse é um sobrevivente, mas há quem possa ameaçar seu longevo reinado. 

Um grupo de pesquisadores da Universidade de Washington está desenvolvendo o AuraRing, combinação de anel e smartwatch capaz de detectar a posição e acompanhar os mais sutis movimentos do dedo de seu usuário. 

Por dentro do anel passa um conjunto de fios enrolados, nos quais uma corrente elétrica faz gerar um campo magnético captado por sensores na pulseira. Com base nos valores detectados, o sistema pode identificar em tempo real e com precisão milimétrica a posição do dedo em que está colocado. 

O AuraRing tem sensibilidade suficiente para captar várias intensidades e tipos de movimento, o que pode abrir uma vasta gama de interações possíveis. “Por exemplo, se você escrever ‘olá’, poderá usar um toque ou um beliscão para enviar esses dados. Ou em um jogo parecido com o Mario, um toque pode fazer o personagem pular, mas um beliscão poderia fazê-lo dar um super pulo”, comenta Farshid Salemi Parizi, estudante de doutorado em engenharia elétrica e de computação, líder do projeto. 

O equipamento pode ser usado para transmitir movimentos da mão real para uma mão-avatar em um contexto de realidade virtual e mesmo para registrar a caligrafia do usuário. Como usa um campo magnético, permite rastrear os movimentos mesmo quando a mão não está visível, como quando uma pessoa está em um ônibus lotado e não consegue alcançar seu telefone. 

E, segundo a equipe, sua utilidade pode superar a interface com celulares e computadores. O orientador do projeto, professor Shwetak Patel, cita exemplos: “O AuraRing pode detectar o aparecimento da doença de Parkinson, rastreando tremores sutis nas mãos, ou ajudar na reabilitação do AVC, fornecendo feedback sobre os exercícios de movimentação das mãos”. 

Os resultados obtidos até agora foram publicados no “Proceedings of the ACM on Interactive, Mobile, Wearable and Ubiquitous Technologies”. 

Ao que parece, pelo que promete, quando estiver disponível o anel será desejado por muitos e será tido como um item precioso, tal qual um certo semelhante da ficcão. 

Na imagem, uma demonstração do AuraRing em ação (Créditos: Dennis Wise/University of Washington)

O futuro da aviação, além da nuvem

05/02/2020 Posted by Negócios, Tecnologia, Tendências 0 thoughts on “O futuro da aviação, além da nuvem”

Inovações que logo logo devem chegar aos aeroportos. 

 

Qualquer pessoa que já viajou de avião sofreu com a angústia de não se atrasar no trânsito até o aeroporto, com as incertezas sobre as condições meteorológicas previstas para o vôo e com o incômodo da demorada espera nas esteiras para recolher a bagagem, isso para citar só alguns exemplos.

Com o foco em resolver questões como essas e proporcionar uma experiência mais satisfatória para os usuários, a indústria da aviação tem buscado nas ferramentas de inteligência artificial e análise de dados soluções para melhores viagens.

Um exemplo é a Delta Air Lines, cujo CEO, Ed Bastian, anunciou recentemente os planos da empresa para que dentro de alguns anos sejam notadas significativas diferenças. “Hoje vocês vão ver como as viagens serão em 2025”, disse ele antes de apresentar algumas inovações que estão sendo preparadas pela companhia. 

Em uma pesquisa feita pela Delta, usuários e funcionários utilizaram fitbits (espécie de pulseiras inteligentes muito usadas por esportistas) para identificar quais são os momentos de maior tensão. Interações mais amistosas e acolhedoras dos atendentes, como era de se esperar, fazem com que as pessoas se sintam mais à vontade e menos tensas.

O deslocamento que precede o embarque mostra um dos picos de estresse. Por isso o aplicativo da companhia aérea vai fornecer informações de tráfego e acompanhar o trajeto dos clientes até o aeroporto. Em parceria com a Lyft, também será possível solicitar corridas diretamente pelo app. 

Os meteorologistas da empresa fornecerão informações sobre a previsão do tempo e as chances de turbulência nos voos. Há também a expectativa de incorporar o serviço de entrega das bagagens diretamente no destino final dos passageiros, aprimorar o rastreamento das malas e tornar o processo de embarque mais rápido com identificação biométrica.

Também temos exemplos brasileiros. O aplicativo do Aeroporto Internacional de Guarulhos – o maior da América do Sul – já fornece mapas dos terminais, a relação e a localização das lojas e serviços em cada um deles e indica rotas de acesso e informações de trânsito. Recentemente a GOL implantou pela primeira vez no Brasil o embarque por biometria facial no Aeroporto do Galeão, no Rio.

Outro dos destaques na fala de Ed Bastian é a ideia de proporcionar mais personalização e comodidade por meio da exibição, em telas individuais, de informações direcionadas a cada um dos passageiros, tais como o portão de embarque e indicações de como chegar até ele, além de opções de entretenimento.

Os anúncios foram feitos durante a Consumer Electronic Show (CES) 2020, realizada no início do mês em Las Vegas, e podem ser assistidos aqui

(Crédito da imagem: Jan Vašek por Pixabay)

Por dentro das máfias digitais

31/01/2020 Posted by Tecnologia 0 thoughts on “Por dentro das máfias digitais”

Segundo estudo, grupos de criminosos digitais não se organizam como os tradicionais mafiosos da história e da ficção.

 

Quando se fala nos elaborados crimes cibernéticos que vez ou outra tomam os noticiários, é comum pensar em grandes esquemas, organizações complexas e teorias conspiratórias. Mas um estudo divulgado recentemente pela Michigan State University mostra que, no mundo digital, diferentemente de outros ramos criminosos, você não vai encontrar um Pablo Escobar ou um Vito Corleone ditando as regras ao longo de anos, para dezenas ou centenas de colaboradores ou membros da famiglia

Nas investidas de hackers contra instituições financeiras e grandes organizações, o mais comum é que eles se agrupem para determinada ação, escolhidos de acordo com suas habilidades específicas, e depois de concluída a missão, se dispersem. 

“Descobrimos que esses cibercriminosos trabalham em organizações, que diferem dependendo da ofensa. Eles podem ter relações um com o outro, mas não são grupos sofisticados de vários anos, de várias gerações, que você associa a outras redes de crime organizado”, comenta Thomas Holt, professor de justiça criminal da MSU e co-autor do trabalho, que analisou 18 casos ocorridos na Holanda. O autor principal,  E. R. Leukfeldt, é pesquisador do Instituto Holandês para o Estudo do Crime e da Polícia.

“Certamente, existem diferentes estados e grupos nacionais envolvidos no crime cibernético, mas os que causam mais danos são grupos soltos de indivíduos que se reúnem para fazer uma coisa, fazem muito bem e, depois de um tempo, desaparecem”, completa o professor Holt. 

Por se organizarem de forma tão distinta daquelas que as forças investigativas estavam acostumadas a lidar, o desafio de evitar e combater crimes dessa natureza é grande. O fato de utilizarem a dark web e criptomoedas também agrega dificuldade em encontrar os rastros de suas ações. 

A expectativa dos pesquisadores envolvidos no trabalho é que ele auxilie na reflexão sobre o tema: “Esperamos ver melhores relações entre a aplicação da lei e a academia e melhor compartilhamento de informações para que possamos entender melhor o comportamento dos envolvidos”, diz Holt.  

(Crédito da imagem: Pete Linforth/Pixabay)

Sobre machismo e inteligência artificial

28/01/2020 Posted by Pessoas, Tecnologia 0 thoughts on “Sobre machismo e inteligência artificial”

Assédio contra assistentes virtuais dotadas de Inteligência Artificial acende o alerta sobre abusos, seja no mundo digital, seja na vida real. 

 

O uso de assistentes virtuais de voz, presentes em vários dispositivos, está se popularizando com rapidez. Só nos Estados Unidos, estima-se que 110 milhões de pessoas façam uso de tecnologias do tipo. Siri (da Apple), Cortana (da Microsoft) e Alexa (da Amazon) são os nomes mais conhecidos em uma lista que vem crescendo. Incansáveis e dispostas, nos auxiliam em diversas tarefas como pesquisar informações e dar comandos para aplicativos e aparelhos eletrônicos, sempre com respostas gentis e tom acolhedor. 

Curiosamente, e talvez não tão por acaso assim, as três ferramentas citadas têm nomes que remetem ao gênero feminino e possuem vozes femininas, por padrão. O Google Assistant, embora tenha nome genérico, também fala com voz de mulher. E a postura dessas assistentes, que por vezes beira a completa subserviência, tem ensejado uma série de abusos por parte dos usuários.  

As tecnologias de comunicação nos permitem interagir com milhares de pessoas e, ainda assim, cresce no mundo o número de solitários. Como resultado, essas ferramentas são usadas com frequência para conversas íntimas e de conteúdo sexualizado. Já em 2016 o diretor executivo da Robin Labs, Ilya Eckstein, destacava como a ferramenta Robin, criada por sua empresa para auxiliar no trânsito, recebia grande volume de mensagens com conotação sexual. Os principais usuários eram caminhoneiros e adolescentes que viam em Robin uma forma de entretenimento. 

No ano passado a Revista Veja registrou em uma reportagem as respostas das principais assistentes virtuais quando interpeladas com a frase “você é gostosa”. Alexa reagia com um “Gentileza sua dizer isso”, Google Assistant fazia graça dizendo “Tenho meu lado caliente. Alguns dos meus data centers funcionam a quase 40 graus”, Siri tentava sair pela tangente com um “Nas nuvens, todos são bonitos” e apenas Cortana conseguia ser mais evasiva: “É melhor a gente falar sobre outra coisa”. Nenhuma delas, contudo, rechaçava com veemência o comentário inadequado. 

Esse panorama vem chamando a atenção de estudiosos e motivou a elaboração de um relatório pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). Chamado de “Eu ficaria vermelha, se pudesse”, o trabalho reuniu uma série de reflexões sobre as causas e implicações dessa realidade. O título da publicação é a resposta que a assistente Siri dava até 2017 para a frase “você é uma p***”. 

O relatório frisa que a preponderância de assistentes com voz feminina reforça a noção ultrapassada de que as mulheres devem assumir posturas dóceis e servis, estão sempre prontas a ajudar e devem tolerar abusos. E mais: percebe-se que os comportamentos agressivos e abusivos para com esses sistemas são análogos às relações reais nas quais impera a submissão de um dos lados. Como os softwares são programados para não contestar qualquer ameaça, os usuários se sentem superiores, no direito de interpelá-las como bem entendem. 

Reflexo virtual de um problema bastante real

“Inteligência artificial não é algo místico ou mágico. É algo que o ser humano produz, um reflexo direto da sociedade que criou a tecnologia”. Ao afirmar isso, a Diretora da Divisão de Igualdade de Gênero da Unesco, Gülser Corat, traz para a discussão a responsabilidade que os desenvolvedores dos sistemas têm sobre o comportamento de suas criações. Já até falamos aqui sobre os vieses que fazem os algoritmos reproduzirem discriminação de raça ou gênero, fruto das visões que, intencionalmente ou não, são incutidas em suas diretrizes no seu processo de programação. 

Os baixos índices de diversidade caracterizam o setor de desenvolvimento tecnológico. Em comparação com a presença masculina, a participação feminina é reduzida. Nos EUA, apenas um quarto das vagas em programação e matemática é preenchido por mulheres – número ligeiramente inferior ao observado na década de 1960. Em se tratando especificamente da área de IA, a proporção é ainda mais discrepante: só 12% das pesquisadoras e 6% das desenvolvedoras de software são mulheres. Em um cenário tão predominantemente masculino, as necessidades e pontos de vista femininos acabam não sendo atendidos a contento. 

Uma das iniciativas que tenta oferecer uma alternativa é a da agência de publicidade norte-americana Virtue, que reuniu engenheiros de som e linguistas de diversas orientações sexuais e identidades de gênero para desenvolver uma voz “neutra” para assistentes de IA. O resultado foi o sistema batizado de Q, derivado da palavra queer, que em inglês se refere a pessoas de gêneros e orientações sexuais variadas. Em sua apresentação, Q convida à cooperação: “Preciso de sua ajuda. Juntos, podemos assegurar que a tecnologia reconheça a todos nós”. 

A Unesco também se mobilizou, lançando em parceria com a agência de Comunicação SunsetDDB o movimento “Hey, atualize minha voz!”. A proposta é alertar para a importância da educação cibernética e do respeito às assistentes de voz e conclamar as grandes empresas de tecnologia a aprimorar seus sistemas para responder de forma adequada a interlocuções desrespeitosas. 

Segundo dados colhidos pelo movimento, 73% das mulheres reais afirmaram já ter sofrido algum tipo de assédio em ambientes online. Permitir que os abusos possam ser feitos às assistentes virtuais livremente é uma forma demonstrar conivência com atitudes como essa, tendo em vista que seus sistemas estão cada vez mais realistas, mimetizando cada vez melhor a interação humana. 

Se um homem se sente no direito de ser abusivo com uma mulher virtual por se sentir superior a ela, por que não faria o mesmo com uma parceira de carne e osso? A grande urgência consiste nisso: em pleno século 21, não há mais espaço para relações assim – nem mesmo com alguém “de mentira”.

Na imagem, reprodução do vídeo de apresentação da assistente virtual Q 

Raio-X da Inteligência Artificial na Saúde

23/01/2020 Posted by Tecnologia, Tendências 0 thoughts on “Raio-X da Inteligência Artificial na Saúde”

Entidade norte-americana publica relatório com panorama da interface entre IA e medicina.

 

A National Academy of Medicine (NAM), entidade que reúne profissionais e estudiosos de medicina dos Estados Unidos, publicou em dezembro um relatório com informações sobre o cenário atual da interface entre o campo da saúde e as ferramentas e aplicações de Inteligência Artificial. 

A publicação “Artificial Intelligence in Health Care: The Hope, the Hype, the Promise, the Peril” tem entre seus co-editores Michael Matheny, do Centro Médico da Universidade Vanderbilt. Ele comenta:

“É fundamental que a comunidade de assistência médica aprenda com os sucessos, mas também com os desafios e as falhas recentes no uso dessas ferramentas. Decidimos catalogar exemplos importantes na IA de assistência médica, destacar as melhores práticas em torno do desenvolvimento e implementação da IA e oferecer pontos-chave que precisam ser discutidos para que se chegue a um consenso sobre como abordá-los como comunidade e sociedade”.

O relatório aborda, entre vários tópicos, soluções em IA atuais e que estarão disponíveis no curto prazo, elenca desafios, limitações e práticas recomendadas para desenvolver, adotar e manter funcionalidades de IA, traça um panorama do cenário legal e regulatório dessas ferramentas para o uso em serviços de saúde, destaca a necessidade de uma visão plural e igualitária e um viés de direitos humanos na programação desses sistemas e aponta caminhos para o avanço na área. 

Algumas práticas vêm demonstrando resultados bastante positivos e têm se disseminado em hospitais e centros de pesquisa, como já abordamos em outro artigo. Por outro lado, também têm sido discutida, entre outros dilemas e questões, a ocorrência de vieses preconceituosos nos algoritmos, a chamada “discriminação algorítmica”, assunto do qual também já falamos por aqui

A expectativa de Matheny e dos demais colaboradores do trabalho é que ele possa contribuir para o diálogo sobre a inclusão e tratamento justo dos pacientes com o auxílio da IA. Como resume a NAM, em comunicado oficial: “A IA tem potencial para revolucionar os cuidados de saúde. No entanto, à medida que avançamos juntos para um futuro apoiado pela tecnologia, devemos garantir altos padrões de qualidade dos dados, que a equidade e a inclusividade sempre sejam priorizadas, que novas as tecnologias sejam apoiadas por educação e treinamento apropriados e adequados, e que todas as tecnologias sejam adequadamente regulamentadas e embasadas por legislação específica e adaptada”. 

(Crédito da imagem: EVG Photos)

Os direitos (e deveres) das máquinas

21/01/2020 Posted by Tecnologia 0 thoughts on “Os direitos (e deveres) das máquinas”

Avanços na Inteligência Artificial levantam questões legais sobre as consequências dos atos praticados por robôs. 

 

O uso de dados e de aplicações de inteligência artificial cresce em áreas bem visíveis, como tecnologia, comunicações e vendas, mas também há impactos na educação, na saúde e no direito. Sobre este último, Paula Oliveira, CEO da GoToData, discorreu em uma instigante entrevista para o portal LexLatin, um dos maiores disseminadores de conteúdo destinado ao campo jurídico da América Latina. 

Mas o desenvolvimento de máquinas dotadas de inteligência artificial não apenas surge como possível auxiliar na dinâmica de escritórios e tribunais. Ele também faz levantar uma questão: será necessário determinar quais são os direitos e os deveres das máquinas? A resposta mais sintonizada com o futuro é sim. 

Quando em 2015 um robô matou um trabalhador de 21 anos em uma fábrica da Volkswagen em Kassel, na Alemanha, a discussão de quem deveria ser responsabilizado apontou como uma das opções o próprio dispositivo. Na verdade a máquina, de “primeira geração”, operava dentro de uma gaiola de segurança, dentro da qual o técnico estava, propiciando o acidente. O ocorrido não se deu por “vontade” do equipamento. Dois anos depois uma fatalidade semelhante aconteceu nos Estados Unidos. 

Na ocasião da primeira morte, Blay Whitby, especialista em IA da Universidade de Sussex, comentou: “com a presente tecnologia, não podemos ‘culpar’ o robô. Os robôs ainda não estão em nível no qual seu processo decisório nos permita tratá-los como culpados”. Contudo, com o avanço observado nos últimos anos, talvez estejamos perto do momento em que essa afirmação possa não ser mais tão válida. 

Em 2017, na Arábia Saudita, a robô Sophia comunicou a uma plateia de chefes de estado, empresários e investidores presentes no evento Future Investment Initiative que havia sido agraciada com a cidadania do país. O anúncio não tinha validade jurídica na prática – embora tenha sido referendado pelo próprio monarca Saudita – e pareceu mais uma manobra para atrair investimentos no desenvolvimento dela e de um projeto nacional que visa criar uma “cidade digital”, onde os habitantes serão todos robôs e tudo será feito por eles. 

Mesmo que não tenha implicações jurídicas relevantes, o ato teve forte peso simbólico. Criada pela empresa Hanson Robotics, sediada em Hong Kong, Sophia se tornava a primeira máquina na história a obter o status de cidadã. 

Considerado um dos grandes mestres da ficção científica, o escritor russo radicado nos Estados Unidos Isaac Asimov apresentou em sua profética obra “Eu, robô” três princípios popularmente chamados de “leis da robótica”. Em “Os robôs do amanhecer”, formularia ainda uma “lei zero” :

‘Lei Zero’: Um robô não pode fazer mal à humanidade e nem, por inação, permitir que ela sofra algum mal.

1ª Lei: Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano sofra algum mal.

2ª Lei: Um robô deve obedecer as ordens que lhe sejam dadas por seres humanos exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a Primeira Lei.

3ª Lei: Um robô deve proteger sua própria existência desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou Segunda Leis.

Terá ele lançado as bases para um vindouro “código dos robôs”? Ainda pairam muitas questões a respeito do assunto. Robôs inteligentes devem possuir os mesmos direitos e deveres de seres humanos? Como fazer para incutir nesses dispositivos não apenas as diretrizes que conduzem suas funções – os famosos algoritmos –, mas também um conjunto de valores morais e éticos tipicamente humanos? 

Não tardaremos a saber. Quem viver, seja homem ou robô, verá. 

Na imagem, reprodução de um trecho da entrevista que Sophia concedeu a seu criador, David Hanson, em 2016, na emissora de TV americana CNBC. “Você quer destruir os humanos? Por favor, diga não”, perguntou David. “Ok, eu destruirei os humanos”, ela respondeu. Sophia teria compreendido a fala como uma ordem, não uma pergunta. Felizmente ela é, grosso modo, um chatbot dotada de expressões faciais complexas. (Crédito: CNBC/Reprodução)