Posts tagged "Inteligência artificial"

Crédito: Mike MacKenzie (www.vpnsrus.com)

Inteligência artificial: o assunto do ano

21 de dezembro de 2019 Posted by Tecnologia, Tendências 0 thoughts on “Inteligência artificial: o assunto do ano”

Em retrospectiva de 2019 no blog da GoToData, o tema foi dos que mais despertou o interesse dos leitores. 

A Inteligência Artificial (IA) saiu dos filmes de ficção científica e já está entre nós, às vezes muito mais do que nos damos conta. Não à toa o assunto apareceu por várias vezes aqui no blog da GoToData, e nem é necessário um algoritmo para atestar isso. Ao longo de 2019 trouxemos notícias e reflexões sobre diversos aspectos dessa tecnologia que revoluciona o mundo. 

As ferramentas que fazem uso da IA e passaram por aqui são as mais variadas e intrigantes. Desde o algoritmo capaz de encontrar a solução para um cubo mágico em questão de segundos e o sistema que auxilia a escolha dos filmes da Sessão da Tarde – e adora o Adam Sandler! –, até a tecnologia que permite a um catéter “navegar” pela corrente sanguínea em busca de vazamentos e um veículo a andar de forma inteligente e autônoma

Nessa jornada, descobrimos que até já existem máquinas incrivelmente competentes em escrever textos e ficamos preocupados com o futuro dos nossos redatores humanos! Uma brincadeira, é claro, mas que nos remete à atenção que vários especialistas têm dado às implicações do desenvolvimento da automação e da IA no mundo do trabalho. Falamos do receio de sermos superados ou até mesmo dominados pelas máquinas e de como a IA pode criar, na opinião do escritor e historiador israelense Yuval Noah Harari, uma “geração de inúteis” (do ponto de vista econômico e financeiro). Parece consenso que só os diferenciais dos humanos em relação às máquinas e um pacto global pelo desenvolvimento consciente e responsável da tecnologia podem nos salvar. 

Nesse sentido, refletimos sobre como a presença de uma visão humanista dentro das equipes que criam, aperfeiçoam e utilizam os sistemas de IA é cada vez mais necessária, para torná-los mais úteis e evitar, por exemplo, que reproduzam julgamentos e visões preconceituosas. Vários experimentos baseados na interlocução de humanos com robôs caminham no mesmo sentido de buscar equilíbrio e explorar o potencial positivo dessa relação, como o que colocou computadores para mediar conflitos, o que analisou a posição das pessoas diante de um dilema moral envolvendo robôs e o que testou o quanto os participantes se afetavam com a pressão exercida por um agente não-humano

Em 2020 e nos anos seguintes a aposta é que o assunto – tão atual e relevante que marcou presença forte até mesmo na última prova do ENEM – continuará na pauta do desenvolvimento científico e seguirá impactando nossas vidas. O futuro próximo promete grandes doses de inovação. Vamos juntos acompanhar as cenas dos próximos capítulos?

Um veterano retorna mais sensível ao espaço

17 de dezembro de 2019 Posted by Tecnologia 0 thoughts on “Um veterano retorna mais sensível ao espaço”

CIMON, Robô dotado de Inteligência Artificial, volta à Estação Espacial Internacional com a capacidade de analisar emoções humanas.

Em “2001: uma odisseia no espaço” – história de Arthur C. Clarke imortalizada no cinema sob direção de Stanley Kubrick – o computador HAL 9000 comanda a nave espacial Discovery, onde se passa boa parte da trama. Dotado de Inteligência Artificial (IA), ele interage com os tripulantes, joga xadrez, aprecia manifestações artísticas e é capaz de expressar e interpretar emoções humanas. 

Pouco mais de cinquenta anos após o lançamento do filme, pioneiro em abordar os limites e dilemas da ainda incipiente IA, vemos algo semelhante acontecendo na vida real. No início de dezembro a cápsula espacial Dragon, da SpaceX, levou pela segunda vez à Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) o robô CIMON, primeiro assistente de astronauta com IA. O dispositivo foi desenvolvido conjuntamente pela IBM, a Airbus e o Centro Aeroespacial Alemão (DLR).

O nome é derivado de Crew Interactive Mobile Companion (“Companheiro Móvel Interativo da Tripulação”, em tradução livre) e pronuncia-se Simon. Embora não tenha formato humanóide e ostente um “rosto” cartunesco, CIMON retorna ao espaço com aprimoramentos, sobretudo em relação à sua capacidade de lidar com as emoções humanas. 

“Quando implantado pela primeira vez na ISS, CIMON provou que podia entender não apenas o conteúdo dentro de um determinado contexto, mas também a intenção por trás dele”, comenta Matthias Biniok em comunicado da IBM. O sistema foi atualizado com o “Watson Tone Analyzer”, ferramenta que permite avaliar as emoções dos astronautas e responder às situações de maneira apropriada. “Com esta atualização, CIMON transformou-se de assistente científico em parceiro empático de conversação”.

O assistente tem se mostrado bem-sucedido na missão de auxiliar os tripulantes da ISS. Nos estreitos corredores da Estação Espacial, ele ajuda nos experimentos científicos realizados em ambientes sem gravidade, exibindo instruções, gravando imagens e avaliando o processo. Com isso, poupa tempo entre os procedimentos e facilita a consulta de informações. Em um ambiente hostil e estressante aos humanos, tem sido um bom companheiro. 

Veteranos do espaço, tais como CIMON, podem ser nossos olhos e ouvidos em viagens aos confins do universo. “Se você vai para a Lua ou para Marte, você não pode levar todos os engenheiros com você. Então, os astronautas estarão por conta própria. Mas com a inteligência artificial, você tem disponível instantaneamente todo o conhecimento da humanidade” comenta Christian Karrasch, líder do projeto no DLR. Só esperamos que CIMON cresça e torne-se um aliado, e não um psicopata, como seu colega da ficção. 

2019 chega ao fim e Data Science segue em alta

12 de dezembro de 2019 Posted by Data Science, Negócios, Tecnologia, Tendências 0 thoughts on “2019 chega ao fim e Data Science segue em alta”

Dados, Inteligência Artificial e Machine Learning dominaram o ano.

A última década marcou avanços extraordinários na tecnologia, abrindo caminhos para um novo ciclo que promete ser ainda mais disruptivo. Às portas dos anos 2020, a Ciência de Dados, a Inteligência Artificial (IA) e outros segmentos afins consolidaram sua posição de destaque e seguirão na pauta. 

O relatório anual “Data Science and Machine Learning Market Study”, da Dresner Advisory Services, trouxe uma série de insights e informações sobre esse contexto. A começar pelo fato de que iniciativas relacionadas a Data Science e Machine Learning (ML), tais como análises preditivas, algoritmos avançados e mineração de dados, apareceram no oitavo lugar entre 37 tecnologias e práticas consideradas como prioritárias por empresas que adotaram IA e ML em 2019. 

Os departamentos de marketing e vendas são os que demonstraram valorizar mais a ciência de dados como instrumento para ajudar a alcançar suas metas e resultados. Quatro em cada dez equipes afirmaram que os dados são essenciais para o sucesso de seus setores. Na sequência, apareceram os segmentos de Business Intelligence Competency Centers (BICC), Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e Gerência de Público. 

O alto nível de interesse compartilhado por esses departamentos reflete esforços para definir novos modelos de receitas e melhorar a experiência dos usuários usando dados,  IA e ML. Um terço das empresas entrevistadas adotou alguma ferramenta do tipo, a maioria delas utilizando até 25 modelos diversos. 

Entre os setores que mais acreditam no potencial de dados, ML e IA para seu sucesso no mercado estão os serviços financeiros e de seguros, assistência médica, atacado e varejo. 

Outro dado interessante e que mostra o poder dessas tecnologias no mundo corporativo atual apontou que 70% dos departamentos de P&D têm maior probabilidade de adotar Data Science, ML e AI. Para o time da Dresner, isso é um indicativo de que o desenvolvimento dessas ferramentas deve aumentar ainda mais nos próximos anos. 

Além do mais, 2019 foi o ano recorde em matéria de interesse das empresas nesse tipo de recurso. O levantamento, que começou a ser feito em 2014, vem mostrando ano após ano o crescimento desse interesse. “Desde então, expandimos nossa cobertura para refletir mudanças de opinião e adoção e adicionamos novos critérios, incluindo uma seção que abrange redes neurais”, comenta Howard Dresner, fundador e diretor de pesquisa da Dresner.

Computadores-bebê e as leis da física

6 de dezembro de 2019 Posted by Pessoas, Tecnologia 0 thoughts on “Computadores-bebê e as leis da física”

Sistema avalia o comportamento de objetos em uma cena a partir de percepções intuitivas da física.

A grade curricular do ensino básico no Brasil só aprofunda os conteúdos de Física no ensino médio, quando os alunos já estão na adolescência. Mas a percepção das leis universais físicas é algo que já desenvolvemos desde os primeiros meses de idade. Ou, como explica , Kevin A. Smith, cientista do Departamento de Ciências do Cérebro e Cognitivas (BCS) e membro do Centro de Cérebros, Mentes e Máquinas (CBMM) do Massachusetts Institute of Technology (MIT):  

“Quando os bebês completam 3 meses de idade, eles têm uma noção de que os objetos não piscam para dentro e para fora da existência e não podem se mover através de outros ou se teletransportar”

Smith é um dos responsáveis pela criação de um modelo de Inteligência Artificial (IA) que compreende conceitos básicos de física intuitiva relacionados ao comportamento de objetos. O objetivo é desenvolver ferramentas melhores de IA e fornecer aos estudiosos uma melhor compreensão da cognição infantil.

O sistema chamado ADEPT observa objetos em movimento em determinada cena e prevê como eles devem se comportar a partir de sua física subjacente. A cada quadro do vídeo é emitido um “sinal de surpresa”, que é tanto maior quanto mais improvável seja o comportamento do item observado. 

Dois módulos compõem o experimento. Um extrai informações sobre o objeto (tais como posição, forma e velocidade), enquanto o outro prevê as representações futuras com base em um conjunto de possibilidades. 

Por exemplo: se um objeto está atrás de uma parede, espera-se que ele permaneça lá, a não ser que algum fator externo incida sobre ele. Se a parede cair e o objeto tiver desaparecido, há uma incompatibilidade com um preceito físico. O modelo “pensa” assim: “havia um objeto que, segundo minha previsão, deveria continuar ali. Ele desapareceu. Isso é surpreendente!”. 

Nos testes comparativos da percepção do computador e de humanos, os níveis de surpresa registrados foram semelhantes. Mas curiosamente o sistema se mostrou surpreso em algumas situações em que as pessoas não foram surpreendidas (mas talvez devessem ter sido). Em um vídeo em que um objeto se move a certa velocidade, passa por trás de uma parede e sai imediatamente do outro lado, o que só aconteceria se ele tivesse acelerado de forma impressionante ou teletransportado, duas coisas absolutamente improváveis. As pessoas não deram muita bola para essa incongruência, mas o ADEPT se incomodou. 

Outra característica interessante é que como a identificação da cena observada é feita por geometria aproximada (sem grande atenção aos detalhes), o sistema demonstrou versatilidade para lidar com objetos para os quais não foi treinado. 

“Não importa se um objeto é um retângulo, um círculo, um caminhão ou um pato. A ADEPT apenas vê que há um objeto em uma posição, movendo-se de uma certa maneira, para fazer previsões”, diz Smith. “Da mesma forma, crianças pequenas também parecem não se importar muito com algumas propriedades como a forma ao fazer previsões físicas”.

Na sequência dos estudos, os pesquisadores pretendem se aprofundar na investigação de como as crianças observam e aprendem sobre o mundo, incorporando essas descobertas no ADEPT. “Queremos ver o que mais precisamos construir para entender o mundo como os bebês e formalizar o que sabemos sobre psicologia para criar melhores agentes de IA”, comenta Smith.

Inteligência artificial: uma aliada dos psicólogos e psiquiatras

28 de novembro de 2019 Posted by Pessoas, Tecnologia 0 thoughts on “Inteligência artificial: uma aliada dos psicólogos e psiquiatras”

Aplicações de IA vêm sendo desenvolvidas para auxiliar no tratamento de questões da mente humana.

A integração da Inteligência Artificial com a área da saúde é uma tendência em franco desenvolvimento. Já falamos dessa interface aqui no blog, mostrando alguns softwares e dispositivos médicos dotados de IA, do auxílio que os algoritmos podem dar na análise de exames de imagem ou mesmo abordando as previsões para os próximos focos de inovação em saúde.

E é ainda importante destacar que a Saúde é uma área pioneira na análise de dados, com o desenvolvimento, ainda nos anos 1970, da corrente prática chamada de “Medicina Baseada em Evidências” (MBE), antecedendo práticas similares na educação, segurança e outras. Na definição da Revista da Associação Médica Brasileira, a “MBE se traduz pela prática da medicina em um contexto em que a experiência clínica é integrada com a capacidade de analisar criticamente e aplicar de forma racional a informação científica de forma a melhorar a qualidade da assistência médica”. 

As áreas de psicologia e psiquiatria estão entre as que se beneficiam dessa “dobradinha”. Enquanto algumas patologias podem ser diagnosticadas por exames de sangue ou de imagem, as doenças psíquicas têm causas complexas e multifatoriais. Para aumentar a assertividade de prescrições e evitar custos e desgaste aos pacientes, sobretudo em casos refratários (nos quais não há resposta aos tratamentos convencionais), é valioso prever qual tratamento surtirá melhor resultado, com menos efeitos colaterais. Já existem bons exemplos. 

Um grupo de pesquisadores da Universidade de Yale desenvolveu um modelo baseado em Machine Learning (ML) para identificar quais pacientes alcançariam remissão sintomática após 12 semanas utilizando o antidepressivo Citalopram. Das 164 variáveis coletadas entre os pacientes, concluíram que com apenas 25 eram capazes de identificar com 64,60% de acurácia quais deles responderiam bem ao tratamento. 

Outro trabalho, que envolveu pesquisadores suecos, holandeses e britânicos, apontou com 91,70% de acerto quais pacientes com Transtorno de Ansiedade Social se beneficiariam da Terapia Cognitiva Comportamental, fazendo uso de imagens de ressonância magnética funcional. 

Por sua vez, pesquisadores dos EUA, Canadá e China elaboraram um modelo preditivo que indicou os níveis de resposta de pacientes com esquizofrenia ao antipsicótico Risperidona e outro que, a partir de exames de imagem, identificava pacientes com esse distúrbio com 78,60% de assertividade. 

A IA também pode ser usada como auxiliar dos psicólogos e psiquiatras na avaliação dos tradicionais testes gráficos. Um exemplo é o trabalho desenvolvido no Departamento de Ciência da Computação da Universidade da Virginia que resultou em uma versão digital do teste neuropsicológico do relógio, associada a outras duas atividades, de repetir e recordar palavras. O resultado é um aplicativo simples capaz de promover a triagem de quadros demenciais com 99,53% de acurácia. 

Os exemplos, como vimos, já são muitos e as possibilidades são inúmeras. É a tecnologia, mais uma vez, prometendo auxiliar na busca por mais saúde e bem estar.

Inteligência artificial ameaça criar geração de inúteis

8 de novembro de 2019 Posted by Data Science, Pessoas, Tecnologia, Tendências 1 thought on “Inteligência artificial ameaça criar geração de inúteis”

Em palestras pelo Brasil, autor de Sapiens defende acordo global contra uso lesivo da tecnologia.

O  professor e escritor israelense Yuval Harari tornou-se conhecido no mundo inteiro com o sucesso do livro “Sapiens: uma breve história da humanidade”, traduzido em mais de 40 idiomas e com milhões de cópias vendidas. Com outros dois best sellers lançados desde então, o historiador ocupou notícias e conteúdos online nos últimos dias em função de sua primeira visita ao Brasil, onde participa de alguns eventos. 

Harari resume em três vertentes os problemas que a humanidade vai enfrentar no século 21: as mudanças climáticas, os avanços da biotecnologia/bioengenharia e a ascensão da inteligência artificial. O desenvolvimento das tecnologias e seu impacto na sociedade contemporânea é assunto central e recorrente tanto em seus escritos quanto nas conferências que têm proferido. 

Uma das preocupações que ele destaca é um assunto no qual já tocamos aqui: o fato de que a tecnologia provoca mudanças constantes e significativas no mercado de trabalho e possivelmente criará uma massa de pessoas sem utilidade, do ponto de vista econômico e financeiro. “Se a maior luta do século 20 foi contra a exploração, a maior luta do século 21 será contra a irrelevância. Por isso os governos têm que proteger as pessoas”, afirmou em uma palestra no encerramento da 5ª Semana de Inovação, realIzada pela Escola de Administração Pública (Enap), em Brasília. Ele completa, em outro tema abordado aqui pelo blog: 

“O risco é que a revolução da inteligência artificial resulte em algo como a revolução industrial do século XIX: desigualdade extrema entre alguns países que dominam a economia global e outros que colapsam completamente, porque seu principal ativo de mão de obra manual barata se torna irrelevante”

O valor dos dados e sua importância estratégica é outra questão chave para o escritor. A combinação de avanços no domínio da biologia humana com o poder tecnológico digital pode resultar num “hackeamento” dos indivíduos. “É possível criar algoritmos que nos conhecem melhor que nós, que podem nos hackear e manipular nossos sentimentos e nossos desejos. E eles não precisam ser perfeitos, apenas nos conhecer melhor. E isso não é difícil porque muitos de nós não se conhecem muito bem”. 

Em entrevista ao El País em 2018, traçou um interessante paralelo entre algumas forças capazes de controlar as pessoas ao longo do século 20, tais como os partidos fascistas dos anos 1930, a KGB e os grandes conglomerados atuais. As organizações no século passado conseguiam estabelecer altos níveis de controle, mas não tinham tecnologia para seguir e manipular cada indivíduo pessoalmente. Hoje isso já é possível (e acontece). “Já estamos vendo como a propaganda é desenhada de forma individual, porque há informação suficiente sobre cada um de nós. Se você quer criar muita tensão dentro de um país em relação à imigração, coloque uns tantos hackers e trolls para difundir notícias falsas personalizadas. Para a pessoa partidária de endurecer as políticas de imigração você manda uma notícia sobre refugiados que estupram mulheres. E ela aceita porque tem tendência a acreditar nessas coisas. Para a vizinha dela, que acha que os grupos anti-imigrantes são fascistas, envia-se uma história sobre brancos espancando refugiados, e ela se inclinará a acreditar. Assim, quando se encontrarem na porta de casa, estarão tão irritados que não vão conseguir estabelecer uma conversa tranquila. Isso aconteceu nas eleições dos Estados Unidos de 2016 e na campanha do Brexit.”

A aposta do escritor para a condução desses grandes desafios da humanidade está no diálogo e na cooperação. Não há, segundo ele, oposição entre as ideias de nacionalismo e globalização. Os estados podem e devem garantir sua soberania e liberdade, mas devem se unir para evitar que as grandes corporações se apoderem e façam mau uso dos dados, o bem mais valioso do século 21. “Precisamos de um acordo global. E isso é possível. Não construindo muros, como está na moda, mas construindo confiança. No entanto, estamos na direção oposta neste momento.”

Quando um robô não quer, dois não brigam?

1 de novembro de 2019 Posted by Pessoas, Tecnologia 0 thoughts on “Quando um robô não quer, dois não brigam?”

Estudo explora a confiabilidade de agentes de inteligência artificial na mediação de conflitos em equipes de trabalho.

 

Já estamos nos acostumando a “ouvir” algumas ferramentas digitais, hoje amplamente usadas. Siri e Alexa são alguns exemplos difundidos de assistentes virtuais, Google Maps e Waze nos apontam distâncias e caminhos, isso para citar apenas alguns exemplos. Mas será que confiaríamos em instrumentos dotados de inteligência artificial para mediar conflitos? 

Essa pergunta motivou um estudo que envolveu pesquisadores das Universidades do Sul da Califórnia (USC) e de Denver. Os pesquisadores criaram um avatar de agente virtual que interagia com uma equipe de três pessoas e estava programado para provocar falhas e gerar conflitos. O objetivo era avaliar se esse agente tinha potencial de atuar melhorando a colaboração e mediando a situação.

Em uma pesquisa anterior, o mesmo grupo detectou que as pessoas tinham mais liberdade para fazer confissões a um terapeuta virtual. Na experiência agora apresentada, a conclusão foi distinta. Os envolvidos tiveram menos propensão a se envolver com Chris, o agente virtual, quando os conflitos surgiam. 

As 27 situações de teste foram realizadas em uma academia militar. Em nenhuma das ocorrências o agente foi ignorado ou menosprezado. Os membros da equipe interagiam com ele normalmente, ouvindo, sendo simpáticos e agradecendo por suas contribuições. Contudo, quando se iniciava o contexto conflituoso, o envolvimento dos humanos com a máquina diminuía consideravelmente. 

Isso indica que os agentes virtuais ainda não gozam de tanta credibilidade para mediar conflitos, mas as perspectivas são boas. Comentários dos participantes indicaram a percepção de que essas ferramentas são neutras e imparciais. “Nossos resultados mostram que agentes virtuais e robôs potencialmente sociais podem ser bons mediadores de conflitos em todos os tipos de equipes. Será muito interessante descobrir as intervenções e respostas sociais para finalmente integrar perfeitamente agentes virtuais em equipes humanas para que eles tenham melhor desempenho”, comenta Kerstin Haring, professor assistente de ciência da computação na Universidade de Denver, autor principal do estudo. 

Os cientistas pretendem reproduzir essa investigação em outros ambientes profissionais.

O algoritmo que adora Adam Sandler

18 de outubro de 2019 Posted by Pessoas, Tecnologia, Tendências 0 thoughts on “O algoritmo que adora Adam Sandler”

Sistema de Inteligência Artificial é usado na seleção de filmes da Sessão da Tarde.

 

A Rede Globo confirmou que um algoritmo é o culpado pelos filmes repetidos na Sessão da Tarde. O programa televisivo vai ao ar desde 1974 e permanece uma das principais atrações da emissora. É uma referência para a geração pré-streaming. Dos festivais com os Trapalhões aos clássicos Lagoa Azul e Curtindo a Vida Adoidado, não há quem não tenha sido feliz, deitado em um sofá, numa tarde chuvosa dos anos 80 (ou 90 ou 2000).

E, tão tradicional quanto o chocolate quente para acompanhar, é a lendária repetição dos títulos. A novidade é que agora a programação é feita por algoritmos e, sim, é verdade, eles são programados para repetir filmes. Os resultados são elogiados pelo diretor de programação da Globo, Amauri Soares:

“Nós criamos um algoritmo para ajudar na programação de filmes da Sessão Tarde. Nós tagueamos todos os filmes no acervo, com as características de cada um. O algoritmo entrega para o programador uma lista de filmes com os atributos que a gente quer. O algoritmo oferece o dobro de opções que o programador sozinho conseguiria levantar.”

E do que gosta o algoritmo? Gosta de histórias de superação e comédias (besteirol ou romântica), como demonstra a lista recente com os 10 campeões de audiência. E adora o Adam Sandler. Somente em 2019 o ator já teve cinco filmes exibidos, dois deles repetidos. É o campeão na escalação, seguido de longe por Sandra Bullock, Queen Latifah e Matthew McConaughey.

A Globo não é a primeira a testar um sistema como este. Algoritmos de recomendação de filmes (e músicas, shows, livros etc) são a base de plataformas como a Netflix, Amazon, Youtube e outras. Nestes modelos, o volume de dados para análise é extraordinário e crescente. Os resultados, no entanto, nem sempre superam a boa e bem-sucedida estratégia de apostar sempre no Adam Sandler.

A Netflix testa, há alguns meses, um novo sistema de recomendação, em uma tentativa de superar as críticas ao seu (irritante) algoritmo atual. O novo modelo, adivinhem, retorna à boa e velha curadoria humana. Em alguns aparelhos com iOS, as novas “coleções” passam por uma seleção prévia feita por pessoas, para então serem agrupadas pelos algoritmos. Um novo round nesta batalha de ferramentas de inteligência artificial pela identificação dos nossos gostos.

Onde está a inteligência artificial?

16 de agosto de 2019 Posted by Tecnologia, Tendências 0 thoughts on “Onde está a inteligência artificial?”

Conheça algumas das aplicações mais comuns dessa tecnologia no mundo corporativo.

A inteligência artificial é um dos ramos da tecnologia que mais avança e promete revolucionar cada vez mais nosso modo de viver, trabalhar e estabelecer relações. Tema atualíssimo, não à toa ele aparece com frequência aqui em nosso blog

Alguns usos ainda são incipientes e há outros que ainda sequer conseguimos imaginar, mas já existem alguns setores em que a inteligência artificial está em franca utilização. Um dos exemplos de aplicação mais difundida é na análise preditiva. A partir de grandes volumes de dados e da aplicação de machine learning e deep learning, sistemas podem apontar previsões com alto índice de assertividade. 

Os algoritmos das plataformas de filmes, séries e músicas, ou mesmo de venda de produtos, capazes de analisar o histórico de visualização/compra e indicar novos produtos, são bons exemplos disso. Também as previsões meteorológicas, os sistemas que indicam quando um equipamento está prestes a apresentar defeito e mesmo computadores utilizados em análises laboratoriais e diagnósticos mostram as variadas potencialidades da inteligência artificial. 

A automação de processos de Tecnologia da Informação (TI) é outro dos amplos campos em que a IA é utilizada. Além disso, o segmento se vale da especialização de seus colaboradores para adotar práticas das mais avançadas, abrigando a vanguarda no contexto das grandes organizações. Controle de qualidade e segurança cibernética também vêm despontando como foco de investimentos e desenvolvimento de IA. 

Segundo a consultoria Gartner, 75% das empresas incrementaram seus investimentos em tecnologia em 2018 com foco na melhoria da satisfação de seus clientes. E a inteligência artificial apareceu com destaque nessa pesquisa, sendo citada por 53% dos participantes como tendo o maior impacto na experiência dos consumidores. Por sua vez, 39% mencionaram chatbots e assistentes virtuais, ferramentas que também contam com a IA em seu funcionamento.

 

Sociólogos de robôs

14 de agosto de 2019 Posted by Pessoas, Tecnologia, Tendências 0 thoughts on “Sociólogos de robôs”

Sistemas de Inteligência Artificial precisam de mais profissionais de humanas em seu desenvolvimento.

Ferramentas de inteligência artificial vão aos poucos conquistando seu espaço no cotidiano das pessoas. Estão disfarçadas em serviços cada vez mais populares, como os oferecidos por aplicativos de transporte, paquera, trânsito e publicidade. Ou bem visíveis, como as assistentes incorporadas em produtos, serviços ou plataformas. Embora nem todas mereçam o rótulo de inteligentes – vide os limitados robôs do tipo “posso ajudar”, em sites diversos -, várias alcançaram níveis bem sofisticados de operação, como as já famosas Siri, Cortana e Alexa.

Sistemas de inteligência artificial são sustentados por algoritmos e dados. E, como já mostramos aqui e ali, ambos trazem o risco de distorção.  As máquinas com capacidade de aprender o fazem a partir de informações recolhidas previamente, das quais sairão os parâmetros para predições, ações e reações. Mas, por mais “independentes”, esses dispositivos são programados e alimentados por humanos e seus dados. Eles carregam vieses pessoais, visões de mundo e distorções. Como resultado, o risco de sistemas preconceituosos ou discriminatórios. Um exemplo, ligado às já citadas assistentes virtuais Siri e Alexa, mostra a reprodução de um padrão sexista.

“Há evidências crescentes de que a Inteligência Artificial pode exacerbar a desigualdade, perpetuar a discriminação e causar danos”

O alerta é de Mona Sloane, pesquisadora do Instituto para o Conhecimento Público, da Universidade de Nova York. Em conjunto com Emanuel Mosso, da City University, eles acabaram de publicar artigo defendendo a inclusão de profissionais das áreas sociais no desenvolvimento de projetos de IA, como forma de reduzir o potencial de dano e ampliar seus benefícios à sociedade. Em resumo, mais “gente de humanas”, com destaque específico para os sociólogos. Eles listam três habilidades específicas das áreas de ciências sociais:

·  As ciências sociais têm uma extensa pesquisa e conhecimento sobre o entendimento das categorias identificadas socialmente, assim como sua organização e estratificação na sociedade. A construção história e o usos de termos como “raça”, e suas implicações, fazem parte do dia-a-dia do sociólogo, mas não dos engenheiros.

·  A análise quantitativa de dados, base de sistemas de machine learning, por exemplo, seriam beneficiadas com os protocolos já em uso na pesquisa social. Seu objetivo é exatamente identificar padrões e intenções que levaram à coleta dos dados, evitando armadilhas.

·  A sociologia exige reflexão para os métodos de análise qualitativa de dados, com um foco bem claro na percepção da influencia do observador sobre o ambiente pesquisado. Algoritmos buscam exatamente a capacidade de transcender a analise quantitativa e chegar à algum ponto próximo à subjetividade. Um espaço em que os pesquisadores da área de sociologia conhecem bem.

O artigo reconhece o esforço dos engenheiros em incorporar nos algoritmos valores alinhados com os da humanidade, mas que é excepcionalmente difícil definir e codificar valores tão fluidos e contextualizados como os ligados às pessoas.

O blog de ideias da GoToData

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