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Onde está a inteligência artificial?

16 de agosto de 2019 Posted by Tecnologia, Tendências 0 thoughts on “Onde está a inteligência artificial?”

Conheça algumas das aplicações mais comuns dessa tecnologia no mundo corporativo.

A inteligência artificial é um dos ramos da tecnologia que mais avança e promete revolucionar cada vez mais nosso modo de viver, trabalhar e estabelecer relações. Tema atualíssimo, não à toa ele aparece com frequência aqui em nosso blog

Alguns usos ainda são incipientes e há outros que ainda sequer conseguimos imaginar, mas já existem alguns setores em que a inteligência artificial está em franca utilização. Um dos exemplos de aplicação mais difundida é na análise preditiva. A partir de grandes volumes de dados e da aplicação de machine learning e deep learning, sistemas podem apontar previsões com alto índice de assertividade. 

Os algoritmos das plataformas de filmes, séries e músicas, ou mesmo de venda de produtos, capazes de analisar o histórico de visualização/compra e indicar novos produtos, são bons exemplos disso. Também as previsões meteorológicas, os sistemas que indicam quando um equipamento está prestes a apresentar defeito e mesmo computadores utilizados em análises laboratoriais e diagnósticos mostram as variadas potencialidades da inteligência artificial. 

A automação de processos de Tecnologia da Informação (TI) é outro dos amplos campos em que a IA é utilizada. Além disso, o segmento se vale da especialização de seus colaboradores para adotar práticas das mais avançadas, abrigando a vanguarda no contexto das grandes organizações. Controle de qualidade e segurança cibernética também vêm despontando como foco de investimentos e desenvolvimento de IA. 

Segundo a consultoria Gartner, 75% das empresas incrementaram seus investimentos em tecnologia em 2018 com foco na melhoria da satisfação de seus clientes. E a inteligência artificial apareceu com destaque nessa pesquisa, sendo citada por 53% dos participantes como tendo o maior impacto na experiência dos consumidores. Por sua vez, 39% mencionaram chatbots e assistentes virtuais, ferramentas que também contam com a IA em seu funcionamento.

 

Sociólogos de robôs

14 de agosto de 2019 Posted by Pessoas, Tecnologia, Tendências 0 thoughts on “Sociólogos de robôs”

Sistemas de Inteligência Artificial precisam de mais profissionais de humanas em seu desenvolvimento.

Ferramentas de inteligência artificial vão aos poucos conquistando seu espaço no cotidiano das pessoas. Estão disfarçadas em serviços cada vez mais populares, como os oferecidos por aplicativos de transporte, paquera, trânsito e publicidade. Ou bem visíveis, como as assistentes incorporadas em produtos, serviços ou plataformas. Embora nem todas mereçam o rótulo de inteligentes – vide os limitados robôs do tipo “posso ajudar”, em sites diversos -, várias alcançaram níveis bem sofisticados de operação, como as já famosas Siri, Cortana e Alexa.

Sistemas de inteligência artificial são sustentados por algoritmos e dados. E, como já mostramos aqui e ali, ambos trazem o risco de distorção.  As máquinas com capacidade de aprender o fazem a partir de informações recolhidas previamente, das quais sairão os parâmetros para predições, ações e reações. Mas, por mais “independentes”, esses dispositivos são programados e alimentados por humanos e seus dados. Eles carregam vieses pessoais, visões de mundo e distorções. Como resultado, o risco de sistemas preconceituosos ou discriminatórios. Um exemplo, ligado às já citadas assistentes virtuais Siri e Alexa, mostra a reprodução de um padrão sexista.

“Há evidências crescentes de que a Inteligência Artificial pode exacerbar a desigualdade, perpetuar a discriminação e causar danos”

O alerta é de Mona Sloane, pesquisadora do Instituto para o Conhecimento Público, da Universidade de Nova York. Em conjunto com Emanuel Mosso, da City University, eles acabaram de publicar artigo defendendo a inclusão de profissionais das áreas sociais no desenvolvimento de projetos de IA, como forma de reduzir o potencial de dano e ampliar seus benefícios à sociedade. Em resumo, mais “gente de humanas”, com destaque específico para os sociólogos. Eles listam três habilidades específicas das áreas de ciências sociais:

·  As ciências sociais têm uma extensa pesquisa e conhecimento sobre o entendimento das categorias identificadas socialmente, assim como sua organização e estratificação na sociedade. A construção história e o usos de termos como “raça”, e suas implicações, fazem parte do dia-a-dia do sociólogo, mas não dos engenheiros.

·  A análise quantitativa de dados, base de sistemas de machine learning, por exemplo, seriam beneficiadas com os protocolos já em uso na pesquisa social. Seu objetivo é exatamente identificar padrões e intenções que levaram à coleta dos dados, evitando armadilhas.

·  A sociologia exige reflexão para os métodos de análise qualitativa de dados, com um foco bem claro na percepção da influencia do observador sobre o ambiente pesquisado. Algoritmos buscam exatamente a capacidade de transcender a analise quantitativa e chegar à algum ponto próximo à subjetividade. Um espaço em que os pesquisadores da área de sociologia conhecem bem.

O artigo reconhece o esforço dos engenheiros em incorporar nos algoritmos valores alinhados com os da humanidade, mas que é excepcionalmente difícil definir e codificar valores tão fluidos e contextualizados como os ligados às pessoas.

Como é belo meu algoritmo!

12 de agosto de 2019 Posted by Pessoas, Tecnologia 0 thoughts on “Como é belo meu algoritmo!”

Experimento revela admiração por fórmulas e equações, similar à expressada por sonatas e pinturas.

A busca pela beleza une pintores, poetas, músicos e outros artistas. E também os matemáticos e estatísticos, confirma agora estudo conjunto das universidades de Bath e Yale. O experimento buscava testar se nós compartilhamos com algoritmos e equações a mesma sensibilidade estética das artes. “Nós” as pessoas comuns, pois já é notória a paixão dos matemáticos pelo seu objeto de estudo: confira aqui a famosa lista com as dez mais lindas equações de todos os tempos.

E, de fato, também valorizamos uma bela sequência de números. No experimento, pessoas foram divididas em grupos e orientadas a avaliar quatro sonatas de piano, pinturas de paisagens e algoritmos, atribuindo a cada um notas nos quesitos beleza, universalidade, sofisticação, profundidade, simplicidade, elegância e seriedade.

Os resultados foram cruzados, assim como a relação entre eles. As conclusões foram surpreendentes, com a revelação de um padrão unindo as avaliações das peças artísticas e matemáticas e, mais, capaz de predizer o gosto médio de cada grupo em relação a uma determinada fórmula. Os resultados apontaram uma mesma correlação entre as notas de elegância e beleza para cada avaliação. Pessoas que consideravam elegantes uma equação ou sonata, tendiam a também avaliá-las como belas.

Ou seja, nós compartilhamos uma “intuição” sobre o que é um algoritmo belo ou não.

“Demonstramos este fenômeno, mas não entendemos os limites dele. É importante refazê-lo, com outras obras de arte. Mas acredito que entender o que uma pessoa considera bonito em matemática nos permitiu entender nossa própria compreensão da matemática”, disse Samuel G.B. Johnson, um dos coautores do estudo e professor na Escola de Administração da Universidades de Bath. Sua carreira é dedicada ao entendimento de como as pessoas avaliam diferentes argumentos e conceitos.

Já o professor Stefan Steinberger, da Universidade de Yale, deu início à pesquisa ao perceber a elevada correlação entre seus estudantes de matemática e o gosto por música.

Para o estudo, foram usados os seguintes algoritmos, equações e fórmulas: o “truque de Gauss” (usado para somar potências), o princípio pingeonhole (também conhecido como teorema de Dirichlet), uma prova geométrica da fórmula de Faulhber e uma amostra gráfica da soma de uma série geométrica infinita.

Nas sonatas, a número 4, D 780, de Schubert, a fuga em Mi menor, de Bach, a variação Diabelli, de Beethoven, e o prelúdio em Ré maior, op. 87, de Shostakovich. As paisagens: Olhando o Vale de Yosemite e Tempestade nas montanhas rochosas, de Albert Bierstadt, o Vagão de Feno, de John Constable, e O Coração dos Andes , de Frederic Edwin Church (foto em destaque).

Não perca seu emprego para um robô

9 de agosto de 2019 Posted by Negócios, Pessoas, Tecnologia 0 thoughts on “Não perca seu emprego para um robô”

A automação vai substituir até 800 milhões de empregos, fique atento para que um não seja o seu.

Os avanços da robótica e da inteligência artificial trouxeram mudanças radicais para o mercado global. Nas universidades, pesquisadores consideram que a quarta revolução industrial já começou, e o cenário para os humanos não é otimista: estudos apontam que, até 2030, de 400 a 800 milhões de empregos terão sido substituídos por robôs em todo o mundo. No Brasil, de acordo com pesquisa feita pela UNB, 54% dos empregos formais estão ameaçados.

Apesar das previsões pouco otimistas para o trabalhador, não é qualquer emprego que pode ser substituído, e mesmo dentre os que podem, nem todos são viáveis. Uma série de fatores determina o potencial para que um trabalho humano seja automatizado, sendo os primeiros a dificuldade e o custo de se trocar uma pessoa por uma máquina. Alguns processos demandam pesquisas longas e investimentos caros. No entanto, se a área possuir pouca mão de obra qualificada e seus trabalhadores forem de alto custo, ela pode tender a optar pela automação. Além disso, é preciso analisar os benefícios secundários da automação, como a maior segurança no trabalho ou menor impacto ambiental, de acordo com a organização, e claro, as regulamentações necessárias e a aceitação social, que podem variar de acordo com a área de atuação da empresa.

Diante desse cenário, a empresa de consultoria norte-americana McKinsey & Company listou alguns pontos para que os trabalhadores possam se prevenir diante dessa ameaça:

  • Adquira o máximo de experiência que puder, afinal, quanto mais conhecimento você tem menos chances terá de ser substituído ou automatizado.
  • Familiarize-se com o quão substituível é o seu trabalho e como isso pode mudar no futuro. Se você sabe que está em um setor de alto risco, pode tomar medidas agora para garantir sua permanência.
  • Não tenha medo de expandir e desenvolver suas habilidades. Dessa forma, se um dos seus possíveis planos de carreira for interrompido, você terá outras opções para seguir.
  • Preste atenção às inovações de automação em seu setor para que você não seja pego de surpresa.
  • Conseguir posições de gerência e diretoria te colocam em um nível de baixo risco de automação. Tente conseguir uma posição nessas áreas.

Além dos trabalhadores, cabe ao governo participar ativamente de ações de proteção ao labor humano, regulamentando o processo de automação, oferecendo programas de capacitação e estimulando novas ofertas de emprego. A economia de um país depende de uma população empregada, que possa contribuir tanto com sua força de trabalho quanto com seu poder de consumo, e ainda que possa parecer vantajoso para um gestor a substituição total de humanos por máquinas, questões sociais, econômicas e de ética devem ser levadas em conta.

O líder e a transformação digital

7 de agosto de 2019 Posted by Data Science, Negócios, Tecnologia 0 thoughts on “O líder e a transformação digital”

Gestores em tecnologia precisam estar antenados e ter visão sistêmica para liderar processo.

O século 21 consolidou a presença da internet e das novas tecnologias no cotidiano, resultando em uma das mudanças mais importantes de todos os tempos. Esses artifícios levaram a sociedade a mudar diversos hábitos e se acostumar a um ritmo completamente novo, o que não afetou somente a vida pessoal dos indivíduos e a forma com que eles se relacionam, mas também as empresas que se consolidaram antes da internet. Enquanto algumas delas se mantiveram resistentes a mudanças e acabaram se tornando obsoletas, como já dissemos aqui, outras empresas optaram pela Transformação Digital, utilizando a tecnologia a seu favor para ganhar mercado.

Resumidamente, a transformação digital é o uso da tecnologia para obter resultados para um negócio. Quando implementada, pode (e deve) ser aplicada em todas as áreas da empresa, trabalhando para integrar desde a cúpula estratégica até a base operacional, facilitando todos os processos. Também não há nenhuma restrição quanto ao tipo de empresa que pode se beneficiar por essa transformação, mesmo que não atue no segmento de tecnologia. Hoje, esse é um caminho sem alternativa equivalente. A transformação é imprescindível.

Normalmente o responsável pela implementação do processo de transformação digital em uma empresa é o CIO (Chief Information Officer), mas a aplicação dessas mudanças não deve se limitar a essa figura. É extremamente importante que haja uma aproximação dos gestores da empresa com o condutor do processo, para que a tecnologia funcione de forma coesa e orgânica no contexto organizacional.

Para que essas mudanças sejam aplicadas de forma eficiente, o CIO deve se manter atento a uma série de fatores, se atualizando constantemente e buscando informações sobre novas tecnologias disponíveis. O CIO também deve assumir a função de estrategista de negócios e se mostrar apto em habilidades analíticas, inteligência de negócios, machine learning e conhecimento em IA. As tecnologias low-code e no-code podem ser muito úteis, pois permitem a programação sem um conhecimento aprofundado em códigos, e é extremamente importante que o gestor entenda sobre as principais plataformas de nuvem do mercado, que devem integrar todo o sistema vigente na empresa.

Ao se aprimorar e buscar conhecer mais do processo de transformação digital, um CIO consegue nortear toda uma mudança estratégica e operacional dentro da empresa. As mudanças, se bem implementadas, podem ser significativas, tanto para o ambiente interno da empresa quanto em relação a experiência final de um cliente com a empresa.

Aprendendo a não fazer: uma visão antifrágil

5 de agosto de 2019 Posted by Negócios, Tendências 0 thoughts on “Aprendendo a não fazer: uma visão antifrágil”

O segredo das organizações capazes de enfrentar o caos e crescer na desordem.

A desordem faz parte da vida e as empresas sofrem seus efeitos tanto quanto as pessoas. Flutuações do mercado, cenários econômicos turbulentos, eleições surpreendentes e fenômenos imprevisíveis da natureza atingem as organizações com frequência acima do desejável e exigem de seus gestores respostas certeiras. Quantas grandes organizações sucumbiram às mudanças nem tão imprevisíveis assim das últimas décadas? Kodak, Mesbla, Blockbuster, Solomon Brothers… São inúmeras. De algumas falamos aqui.

O ensaísta (e megainvestidor) Nassim Nicholas Taleb não as poupa: fracassaram por serem frágeis. Eram corporações cujo tamanho levou à rigidez. O oposto, para o pensador, não são empresas robustas, embora estas também existam em quantidade, reconhecidas por sua resiliência. Em contraponto às empresas frágeis, Taleb criou o termo antifrágil, apresentado em 2012 (do qual já também já falamos neste artigo) e que, desde então, vem ganhando espaço.

A pressão e a desordem fortalecem as empresas antifrágeis. Grandes organizações não gostam de volatilidade, incerteza e aleatoriedade. Ainda assim, vivemos em um mundo de recorrentes disrupturas.

Taleb infere algumas reflexões para grandes e pequenas:

  • Identifique o que não fazer: no longo prazo, errar menos é mais importante que acertar mais. Tentativa e erro é um método aceitável de aprendizagem, desde que os mesmos erros não sejam cometidos duas vezes. Elimine o que não funciona, troque os maus hábitos por boas metodologias de trabalho;
  • Aprenda com os sobreviventes: em vez de apostar nas tendências da moda, gestores devem investir mais tempo estudando os modelos de boas e velhas companhias, como a IBM, Ford, GE e McDonalds, que demonstraram saber responder aos desafios e crises ao longo das décadas;
  • Não aposte tudo de uma vez: em um mundo VUCA (acrônimo em inglês para Volatility, Uncertainty, Complexity e Ambiguity, ou seja, Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade), pense primeiro no que poderia dar errado e nas probabilidades de sucesso ou não. Não desafie a realidade, ela é imbatível.

Lembre-se: a natureza é um exemplo de sistema antifrágil. A evolução não funciona em sistemas estáveis e as mutações são necessárias ao avanço das espécies. É num ambiente similar de negócios que empresas prosperam e ganham musculatura ao enfrentar os sempre novos desafios. Startups e seus métodos ágeis já aprenderam e cobiçam o mercado ocupado por gigantes ainda presas em um mundo com foco em gestão de custo ou preço, e não de valores e relacionamento. Não devemos resistir às incertezas, mas usá-la.

Você acredita na sua moeda?

3 de agosto de 2019 Posted by Data Science, Tecnologia 0 thoughts on “Você acredita na sua moeda?”

Artigo instigante de Ariano Cavalcanti sobre a produção, uso e legitimação da moeda. Se a confiança é o seu grande insumo, o que fazer, quando ela falta? 


Trecho extraído do texto original escrito pelo autor. Leia na íntegra

“A magnitude da transformação proposta pelas criptomoedas ou criptoativos é imensurável. Constituindo um sistema econômico alternativo (peer-to-peer), traz consigo uma proposta de sistema bancário livre e independente do estado, algo absolutamente impensável há poucos anos. Mas não é só isso. Permitindo transações financeiras sem intermediários, mas verificadas por todos usuários (nós) da rede, configura o melhor exemplo de uma estrutura sem uma entidade administradora central, inibindo qualquer autoridade financeira ou governamental de manipular a sua emissão, o seu valor e sobretudo, o de induzir a inflação com a produção de mais dinheiro. Isso não tem precedentes.

Bem, se o cenário atual conduz para um questionamento acerca da legitimidade das autoridades monetárias, acatar a possibilidade de ruptura desse padrão parece no mínimo razoável. No entanto, esse debate não é novo. O assunto já foi amplamente abordado pelo Prêmio Nobel de 1974, Friedrich Hayek, famoso economista austríaco que em seu livro A Desestatização do Dinheiro, já grifava que as vantagens das moedas competitivas (não estatais) não são apenas no sentido de que retirariam das mãos dos governos o poder de inflacionar a oferta monetária, mas também de que muito fariam para impedir as oscilações desestabilizantes que foram, no correr do último século de “ciclos econômicos”, precipitadas pelo monopólio governamental sobre o dinheiro, e também para tornar mais difícil para o governo aumentar excessivamente seus próprios gastos, já que esses aumentos se constituem num dos problemas mais cruciais da nossa era. Para Hayek, o papel-moeda fiduciário e de curso forçado (estatal) é uma criação nefasta do estado, que esse dinheiro fictício é o responsável pelos ciclos econômicos, e que o livre mercado sempre escolheria uma commodity (como o ouro, ou poderia ser uma criptomodeda?) para ser a moeda-base de qualquer economia. Isso soa familiar? Os brasileiros sabem bem disso…

Se o estado não tivesse o poder de emitir dinheiro, como estaria a gestão dos gastos públicos? E como seria a política sem o poder da moeda? E se o padrão de reserva internacional migrasse espontaneamente para uma moeda descentralizada no lugar das estatais? Sobre isso cabe outro pensamento de Hayek: “Fracionar ou descentralizar o poder corresponde, forçosamente, a reduzir a soma absoluta de poder, e o sistema de concorrência é o único capaz de reduzir ao mínimo, pela descentralização, o poder exercido pelo homem sobre o homem.“ — Friedrich August von Hayek

Um bom exemplo para ilustrar essa síntese é a Venezuela. O país é hoje o maior usuário da criptomoeda Dash, alternativa encontrada pela população para se proteger da hiperinflação de mais de 1.000.000% que assola o país. O Dash é amplamente utilizado tanto para pagamentos corriqueiros quanto por meio de ATM’s. e, convergindo com o exposto, um caso bem sucedido de uma moeda competindo com a do estado. Mas se a premissa da moeda estatal é a fidúcia, no caso venezuelano restará a ela apenas a força legal.

Não se pretende aqui, introduzir qualquer apologia contra as moedas e nem tampouco os estados, mas apenas questionar o que nunca ousamos pensar. Dados macroeconômicos estão piscando em alertas que as vezes não queremos enxergar. Talvez nunca tenhamos presenciado elementos e condições tão reais e alinhadas na direção de rupturas estruturais. A reunião de fatores como os legados da crise de 2008, o quantitative easing, o comportamento dos bancos centrais e o avanço das criptomoedas, merecem a nossa atenção sob pena de não nos prepararmos adequadamente para que possa vir.”

Esse sorriso não me engana!

2 de agosto de 2019 Posted by Data Science, Tecnologia 1 thought on “Esse sorriso não me engana!”

Com algoritmo que analisa sorrisos, cientistas avançam na área de reconhecimento facial e inteligência artificial.

O desenvolvimento das técnicas de reconhecimento facial anda de vento em popa, como já tratamos em outros artigos. Os benefícios são vários mas há também uma série de controvérsias – o que não tem sido raro quando analisamos os impactos das novas tecnologias. 

Na academia os pesquisadores buscam expandir os limites desse campo. Na Universidade de Bradford, Grã-Bretanha, cientistas deram um passo adiante: desenvolveram um software capaz de distinguir falsas expressões faciais

A partir dos algoritmos, é possível detectar se um sorriso é genuíno ou forçado. Primeiro o sistema mapeia os traços da face, identificando olhos, boca, bochechas e nariz. Depois ele registra o movimento no decorrer do sorriso e compara com as imagens já armazenadas de sorrisos legítimos e falsos. 

“Um sorriso é talvez a mais comum das expressões faciais e é uma maneira poderosa de sinalizar emoções positivas”, afirmou o coordenador da pesquisa Hassan Ugail, professor de computação visual da Universidade de Bradford. Curiosamente, os movimentos mais significativos característicos dos sorrisos verdadeiros aconteciam ao redor dos olhos, o que vai de encontro à popular afirmação de que um sorriso pode ser visto nos olhos de quem sorri.

Ainda que pareça um experimento simplório e aparentemente sem muitas aplicações práticas, o estudo é promissor e relevante. “Técnicas para analisar expressões faciais humanas avançaram dramaticamente nos últimos anos, mas a distinção entre sorrisos genuínos e posados ​​continua sendo um desafio porque os humanos não são bons em captar as pistas relevantes”, comenta o professor Hassan. 

Com o desenvolvimento dessas possibilidades, o sistema pode auxiliar na interação entre humanos e computadores e colaborar, por exemplo, em processos de identificação biométrica. Para os cientistas sociais e da área clínica, pode também ajudar na obtenção de mais informações sobre emoções e comportamento. 

Humanos versus robôs: superando o medo de sermos superados

25 de julho de 2019 Posted by Pessoas, Tecnologia, Tendências 0 thoughts on “Humanos versus robôs: superando o medo de sermos superados”

Computadores e máquinas são cada vez mais sofisticados e eficientes. Mas os humanos têm seus diferenciais. 

Há tempos os robôs deixaram de ser frutos da inventividade de autores, roteiristas e diretores, para se tornarem peças reais do cotidiano. Sejam eles equipamentos com a capacidade de se locomover, desempenhar tarefas mecânicas, identificar coisas e até mesmo falar, ou supercomputadores dotados de algoritmos complexos, os robôs estão por aí. E são melhores que nós em muitas habilidades. 

O receio de um dia sermos superados e dominados pelas máquinas é reforçado a cada avanço da tecnologia. Em uma visão menos apocalíptica, mas bastante pé no chão, parece dado que muitas atividades ainda desempenhadas por humanos serão assumidas, cedo ou mais cedo ainda, pela automação. 

O principal conselho de especialistas aos que mais se preocupam é desenvolver habilidades que dificilmente computadores ou robôs poderão superar. “Quanto mais habilidades, conhecimento e experiência você tiver, menos chances terá de ser substituído ou automatizado, então adquira o que puder, o mais rápido que puder”, enuncia Larry Alton, em artigo na Forbes, entre as formas de nos prepararmos para a iminente “revolução robótica”. 

Outros itens a nos distinguir e que são predicados valiosos são, por exemplo, a adaptabilidade e a sociabilidade. Vale investir no desenvolvimento desses traços, como discorre Adam Waytz em seu livro “The power of human”.  

A adaptabilidade consiste na capacidade de reagirmos aos imprevistos, de sermos flexíveis. Os computadores e robôs são muito bons em repetir atividades milhões de vezes (e sem se cansar), mas ainda é vantagem nossa conseguirmos nos adaptar diante dos mais específicos cenários.

A sociabilidade, por sua vez, se relaciona à inteligência socioemocional. Mais do que quaisquer animais, e que dirá do que as máquinas, os humanos têm habilidades de compreensão de emoções, empatia, entrosamento e colaboração, enfim. 

Waytz apresenta ainda um contraponto, tratando de como os esforços tanto para se adaptar a um mundo mutável e exigente, quanto para lidar com a sociabilidade como imperativo do mundo profissional, podem ser exaustivos e desgastantes. Aí entra outro diferencial humano, um luxo ao qual as máquinas não se dão: o lazer. Ao perguntar, em uma de suas pesquisas, o que um humano pode fazer e um robô não pode, o pesquisador obteve entre várias respostas a sua preferida: “a mente de um robô não pode vagar”. 

Aí reside um alívio para as pressões – que resultam, o mais das vezes, na piora do desempenho – e um trampolim para a produtividade. Muitas organizações incentivam o lazer para evitar casos cada vez mais comuns da síndrome de burnout e outros males advindos da cultura do trabalho incessante. Além do mais, diversas pesquisas apontam que a distração mental está diretamente associada a benefícios cognitivos, como o incremento da criatividade. 

O próprio Waytz, em estudo recente em parceria com a psicóloga Meghan Meyer, mostrou que pessoas bem-sucedidas em atividades criativas têm maior capacidade de pensar além do aqui e agora. Portanto, indivíduos versáteis, com maior diferencial competitivo. 

A capacidade de comunicação sofisticada também é um campo no qual levamos vantagem. Embora haja tentativas de criação de “robôs autores” e o uso de algoritmos para a disseminação de notícias e conteúdos seja algo comum – assunto que já tratamos aqui – ainda somos muito melhores em nos comunicar de forma convincente. 

E, fazendo o uso dessa habilidade, esperamos tê-lo deixado, caro leitor, mais tranquilo em relação à supremacia dos robôs. Ainda somos imbatíveis em muitas coisas, sobretudo naquilo que nos distingue de todas as outras criaturas e inventos. 

Rápido e sem as mãos: o “cubo mágico” e a inteligência artificial

23 de julho de 2019 Posted by Tecnologia 0 thoughts on “Rápido e sem as mãos: o “cubo mágico” e a inteligência artificial”

Algoritmo com a missão de resolver o famoso puzzle mostra avanço na tecnologia deep learning.

Quase todas as pessoas já devem ter visto um Cubo de Rubik, sobretudo após os anos 1980, quando o brinquedo virou febre mundial. Por aqui, o brinquedo batizado com o nome de seu criador ficou mais conhecido “cubo mágico” e, desde então, tem quebrado cabeças, geração após geração. Afinal, é preciso muito raciocínio para encontrar a combinação das cores de cada uma de suas faces, e não apenas a mera habilidade com as mãos para girar as partes do cubo de forma aleatória. 

Há muitos anos há competições oficiais de cubo mágico e existe até mesmo uma “World Cube Association”. O recorde mundial do cubo de 3×3, o mais tradicional deles, é de incríveis 3,47 segundos, estabelecido em 2018 pelo chinês Yusheng Du. 

Algoritmos não têm mãos, mas são bons em raciocínio lógico e matemático, disso tudo já sabemos. Pesquisadores da Universidade da California, em Irvine, resolveram desenvolver, então, um sistema de deep learning que resolvesse o Cubo de Rubik no mínimo de movimentos possíveis e no menor tempo possível. Longe de estarem apenas criando um jogador virtual, os envolvidos no projeto desejam, com essa iniciativa, auxiliar o avanço desse ramo da ciência que busca criar máquinas capazes de raciocinar, planejar e tomar decisões. 

O algoritmo criado, chamado de DeepCubeA, é do gênero “deep reinforcement learning”, que funciona sem qualquer conhecimento de domínio específico inserido previamente por humanos. A tarefa é complexa, tendo em vista os bilhões de caminhos possíveis para resolver o jogo. O sistema conseguiu, após “treinar” sozinho e aprender por dois dias, desenvolver a habilidade de concluir todos os desafios em fração de segundos, e em 60% das vezes com o mínimo necessário de movimentos – em torno de 20, conforme já foi comprovado.

O principal responsável pelo projeto, o prof. Pierre Baldi, afirma que o objetivo de projetos como este é construir a próxima geração de sistemas de IA. “Esses sistemas não são realmente inteligentes; são frágeis e você pode facilmente quebrá-los ou enganá-los. Como criamos IA avançada, que é mais inteligente, mais robusta e capaz de raciocinar, entender e planejar? Este trabalho é um passo em direção a essa meta pesada”, comenta.

O blog de ideias da GoToData

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