{"id":1140,"date":"2018-12-12T17:55:02","date_gmt":"2018-12-12T17:55:02","guid":{"rendered":"http:\/\/gotodata.com.br\/site\/?p=1140"},"modified":"2018-12-12T17:55:02","modified_gmt":"2018-12-12T17:55:02","slug":"seu-trabalho-serve-para-alguma-coisa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gotodata.com.br\/web\/seu-trabalho-serve-para-alguma-coisa\/","title":{"rendered":"Seu trabalho serve para alguma coisa?"},"content":{"rendered":"<h3><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o se espante se achar in\u00fatil o que faz. O mundo est\u00e1 cheio de <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">bullshit jobs<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/h3>\n<p><a href=\"http:\/\/gotodata.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/rock-wall-1845128_1920.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-1141 size-medium\" src=\"http:\/\/gotodata.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/rock-wall-1845128_1920-300x200.jpg\" alt=\"Bullshit jobs\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/gotodata.com.br\/web\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/rock-wall-1845128_1920-300x200.jpg 300w, https:\/\/gotodata.com.br\/web\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/rock-wall-1845128_1920-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/gotodata.com.br\/web\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/rock-wall-1845128_1920-768x512.jpg 768w, https:\/\/gotodata.com.br\/web\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/rock-wall-1845128_1920-1536x1025.jpg 1536w, https:\/\/gotodata.com.br\/web\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/rock-wall-1845128_1920.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As incont\u00e1veis funcionalidades e facilidades que o desenvolvimento tecnol\u00f3gico oferecem \u00e0 humanidade s\u00e3o de impressionar. Dispositivos e sistemas transformaram atividades outrora trabalhosas ou demoradas em coisa de um clique, um segundo. In\u00fameras tarefas no cultivo de alimentos, na ind\u00fastria e mesmo em servi\u00e7os dom\u00e9sticos j\u00e1 foram automatizadas. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com tamanha diminui\u00e7\u00e3o da depend\u00eancia de esfor\u00e7o humano para viabilizar v\u00e1rias de nossas necessidades mais b\u00e1sicas, era de se esperar que j\u00e1 pud\u00e9ssemos gastar menos tempo com trabalho ou coisas que n\u00e3o sabemos ou desejamos fazer, n\u00e3o \u00e9 mesmo? Pois n\u00e3o \u00e9 o que acontece. Nunca trabalhou-se tanto e o fantasma do desemprego continua a tirar o sono de muita gente. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Isso porque, segundo a reflex\u00e3o do antrop\u00f3logo norte-americano David Graeber, o mundo est\u00e1 cheio de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">bullshit jobs<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, trabalhos vistos por quem os executa como socialmente in\u00fateis ou at\u00e9 mesmo nocivos. O livro no qual Graeber desenvolve o assunto \u2013 \u201cBullshit jobs &#8211; A Theory\u201d \u2013 ainda n\u00e3o foi vertido para o portugu\u00eas. A tradu\u00e7\u00e3o do termo central \u00e9 espinhosa, pois j\u00e1 no in\u00edcio da obra o autor fala tamb\u00e9m em \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">shit jobs<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d, outra categoria de atividades, n\u00e3o necessariamente coincidente. A ideia, contudo, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil de compreender. A divis\u00e3o dos <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">bullshit jobs<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> em categorias \u00e9 bem elucidativa:<\/span><\/p>\n<ul>\n<li><b>Flunkies:<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> cargos que existem t\u00e3o somente para conferir import\u00e2ncia aos seus superiores, uma esp\u00e9cie de subordinados desnecess\u00e1rios. Quanto mais pessoas sob sua batuta tem um gerente, maior seu prest\u00edgio. O mesmo vale para os membros da comitiva de uma autoridade.<\/span><\/li>\n<li><b>Goons:<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> trabalhos que envolvem certa forma de \u201cviol\u00eancia\u201d, seja literal, como o caso das For\u00e7as Armadas \u2013 in\u00fateis, na opini\u00e3o do autor, porque uma na\u00e7\u00e3o s\u00f3 tem ex\u00e9rcito porque outras tamb\u00e9m t\u00eam \u2013 ou simb\u00f3lica, a exemplo dos rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, lobistas, advogados corporativos e operadores de telemarketing. <\/span><\/li>\n<li><b>Duct tapers:<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> pessoas que resolvem problemas que sequer deveriam existir, mas existem e prejudicam outras atividades. A ind\u00fastria da inform\u00e1tica est\u00e1 repleta deles.<\/span><\/li>\n<li><b>Box tickers:<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0servem para as organiza\u00e7\u00f5es dizerem que fazem algo que, na verdade, n\u00e3o fazem. Entre eles est\u00e3o os marcadores de listas e checklists.<\/span><\/li>\n<li><b>Taskmasters:<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> podem ser\u00a0 respons\u00e1veis por determinar tarefas a colegas que as desempenhariam mesmo sem algu\u00e9m para demand\u00e1-las (os superiores desnecess\u00e1rios) ou os que inventam atividades completamente in\u00fateis ou sem necessidade para outros fazerem. <\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No <\/span><a href=\"https:\/\/strikemag.org\/bullshit-jobs\"><span style=\"font-weight: 400;\">artigo que publicou em 2013 apresentando essa ideia<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, o autor j\u00e1 afastava as poss\u00edveis acusa\u00e7\u00f5es de n\u00e3o ter legitimidade para dizer quais trabalhos s\u00e3o realmente necess\u00e1rios, dizendo n\u00e3o ser esse seu intento. A ideia era tratar de um volume grande \u2013 e talvez crescente \u2013 de trabalhadores que se viam presos em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">bullshit jobs<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ap\u00f3s a viraliza\u00e7\u00e3o de seu texto, Graeber reuniu contribui\u00e7\u00f5es an\u00f4nimas em seu Twitter que corroboravam sua tese. Pesquisas no Reino Unido e na Holanda, motivadas pela curiosidade despertada pelo tema, foram no mesmo sentido: respectivamente, 37% e 40% das pessoas se encontravam em fun\u00e7\u00f5es como essas. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para o antrop\u00f3logo, um regime de trabalho t\u00e3o abundante de fun\u00e7\u00f5es assim, a despeito de todos os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos j\u00e1 feitos, parece ter sido calculado para a manuten\u00e7\u00e3o do poder do capital financeiro tal como est\u00e1. Parece sair mais barato manter tantos postos desnecess\u00e1rios de trabalho \u2013 um contrassenso para a l\u00f3gica da capitalista, que privilegia a efici\u00eancia \u2013 do que deixar os trabalhadores com mais tempo e mentes livres. Este sistema, finaliza o autor, \u201c\u00e9 a \u00fanica explica\u00e7\u00e3o de por que, apesar de nossas capacidades tecnol\u00f3gicas, n\u00e3o estamos todos trabalhando entre 3 e 4 horas por dia.\u201d<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o se espante se achar in\u00fatil o que faz. O mundo est\u00e1 cheio de bullshit jobs. As incont\u00e1veis funcionalidades e facilidades que o desenvolvimento tecnol\u00f3gico oferecem \u00e0 humanidade s\u00e3o de impressionar. Dispositivos e sistemas transformaram atividades outrora trabalhosas ou demoradas em coisa de um clique, um segundo. 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