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O DNA das coisas

7 de janeiro de 2020 Posted by Tecnologia 0 thoughts on “O DNA das coisas”

Tecnologia em desenvolvimento permite armazenar em objetos instruções para que sejam replicados, servindo como o material genético para os seres vivos.

Seres vivos vêm se reproduzindo há milhões de anos na Terra graças a um segredo sofisticado da natureza: possuem em suas células as instruções exatas para gerar “cópias” que levem as características de sua espécie adiante no tempo. Por sua vez os objetos inanimados só podem ser replicados quando se dispõe das instruções exatas para sua fabricação e do conhecimento certeiro de seus componentes. É a desvantagem de não possuírem um DNA. Pelo menos por enquanto. 

Os pesquisadores Robert Grass e Yaniv Erlich estão trabalhando em uma possível solução para isso: “Com o método que estamos desenvolvendo, podemos integrar instruções de impressão 3D em um objeto, para que, após décadas ou mesmo séculos, seja possível obter essas instruções diretamente do próprio objeto”, explica Grass. 

O professor do Departamento de Química e Biociências Aplicadas da ETH Zurich desenvolveu uma forma de embutir em minúsculas contas de vidro uma espécie de “código de barras” passíveis de serem usados em diversos materiais, que podem servir como rastreadores em testes geológicos ou para identificar produtos de alta qualidade e distingui-los de falsificações, por exemplo. Por sua vez, Erlich trouxe um incremento ao modelo de Grass – capaz de armazenar no máximo 100 bits, ou seja, uma sequência com uma centena de algarismos 0 ou 1 – ao apresentar uma alternativa que em tese pode comportar até 215 mil terabytes de informações. 

O invento dos dois vem sendo chamado de “DNA das coisas”, pegando carona no badalado termo “Internet das Coisas” (do qual já falamos algumas vezes aqui no blog). 

Um dos testes consistiu na impressão em 3D de um coelho de plástico no qual foram inseridas suas instruções de impressão (cerca de 100 kilobytes de dados). “Assim como coelhos de verdade, nosso coelho também carrega seu próprio projeto”, comenta Grass. A equipe foi capaz de recuperar as informações de uma pequena parte do coelho e usá-las para imprimir um novo cinco vezes consecutivas, dando origem ao que seria o tataraneto do “coelho patriarca”.

A tecnologia também pode ser usada para ocultar informações em objetos do cotidiano, em uma aplicação da técnica chamada de esteganografia. Para demonstrar essa aplicação, Erlich e Grass fizeram uma referência ao passado, armazenando nas lentes de um óculos um curta-metragem sobre um arquivo secreto que é um dos raros registros da vida no Gueto de Varsóvia, durante a Segunda Guerra Mundial, escondidos em latas por um historiador judeu sobrevivente. “Não seria problema levar óculos como esse pela segurança do aeroporto e, assim, transportar informações de um lugar para outro sem ser detectado”, diz Erlich. 

As contas de vidro podem, supostamente, ser incorporadas em vários plásticos que não atinjam temperaturas muito altas durante sua fabricação, tais como epóxidos, poliéster, poliuretano e silicone. 

Além das aplicações já citadas, as “nanocontas” podem ter muitas outras funcionalidades, como marcar medicamentos, tintas ou colas, por exemplo. Autoridades médicas podem ler os resultados de testes de controle de qualidade diretamente do produto e trabalhadores podem acessar dados sobre o fabricante ou as propriedades de materiais que utilizam, entre diversas outras possibilidades. 

O método ainda é caro, mas segue sendo aprimorado em busca de se tornar mais acessível. A “tradução” das informações de impressão do coelho custou 2 mil francos suíços (mais de 8 mil reais).

O blog de ideias da GoToData

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