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Onde está a inteligência artificial?

16 de agosto de 2019 Posted by Tecnologia, Tendências 0 thoughts on “Onde está a inteligência artificial?”

Conheça algumas das aplicações mais comuns dessa tecnologia no mundo corporativo.

A inteligência artificial é um dos ramos da tecnologia que mais avança e promete revolucionar cada vez mais nosso modo de viver, trabalhar e estabelecer relações. Tema atualíssimo, não à toa ele aparece com frequência aqui em nosso blog

Alguns usos ainda são incipientes e há outros que ainda sequer conseguimos imaginar, mas já existem alguns setores em que a inteligência artificial está em franca utilização. Um dos exemplos de aplicação mais difundida é na análise preditiva. A partir de grandes volumes de dados e da aplicação de machine learning e deep learning, sistemas podem apontar previsões com alto índice de assertividade. 

Os algoritmos das plataformas de filmes, séries e músicas, ou mesmo de venda de produtos, capazes de analisar o histórico de visualização/compra e indicar novos produtos, são bons exemplos disso. Também as previsões meteorológicas, os sistemas que indicam quando um equipamento está prestes a apresentar defeito e mesmo computadores utilizados em análises laboratoriais e diagnósticos mostram as variadas potencialidades da inteligência artificial. 

A automação de processos de Tecnologia da Informação (TI) é outro dos amplos campos em que a IA é utilizada. Além disso, o segmento se vale da especialização de seus colaboradores para adotar práticas das mais avançadas, abrigando a vanguarda no contexto das grandes organizações. Controle de qualidade e segurança cibernética também vêm despontando como foco de investimentos e desenvolvimento de IA. 

Segundo a consultoria Gartner, 75% das empresas incrementaram seus investimentos em tecnologia em 2018 com foco na melhoria da satisfação de seus clientes. E a inteligência artificial apareceu com destaque nessa pesquisa, sendo citada por 53% dos participantes como tendo o maior impacto na experiência dos consumidores. Por sua vez, 39% mencionaram chatbots e assistentes virtuais, ferramentas que também contam com a IA em seu funcionamento.

 

Sociólogos de robôs

14 de agosto de 2019 Posted by Pessoas, Tecnologia, Tendências 0 thoughts on “Sociólogos de robôs”

Sistemas de Inteligência Artificial precisam de mais profissionais de humanas em seu desenvolvimento.

Ferramentas de inteligência artificial vão aos poucos conquistando seu espaço no cotidiano das pessoas. Estão disfarçadas em serviços cada vez mais populares, como os oferecidos por aplicativos de transporte, paquera, trânsito e publicidade. Ou bem visíveis, como as assistentes incorporadas em produtos, serviços ou plataformas. Embora nem todas mereçam o rótulo de inteligentes – vide os limitados robôs do tipo “posso ajudar”, em sites diversos -, várias alcançaram níveis bem sofisticados de operação, como as já famosas Siri, Cortana e Alexa.

Sistemas de inteligência artificial são sustentados por algoritmos e dados. E, como já mostramos aqui e ali, ambos trazem o risco de distorção.  As máquinas com capacidade de aprender o fazem a partir de informações recolhidas previamente, das quais sairão os parâmetros para predições, ações e reações. Mas, por mais “independentes”, esses dispositivos são programados e alimentados por humanos e seus dados. Eles carregam vieses pessoais, visões de mundo e distorções. Como resultado, o risco de sistemas preconceituosos ou discriminatórios. Um exemplo, ligado às já citadas assistentes virtuais Siri e Alexa, mostra a reprodução de um padrão sexista.

“Há evidências crescentes de que a Inteligência Artificial pode exacerbar a desigualdade, perpetuar a discriminação e causar danos”

O alerta é de Mona Sloane, pesquisadora do Instituto para o Conhecimento Público, da Universidade de Nova York. Em conjunto com Emanuel Mosso, da City University, eles acabaram de publicar artigo defendendo a inclusão de profissionais das áreas sociais no desenvolvimento de projetos de IA, como forma de reduzir o potencial de dano e ampliar seus benefícios à sociedade. Em resumo, mais “gente de humanas”, com destaque específico para os sociólogos. Eles listam três habilidades específicas das áreas de ciências sociais:

·  As ciências sociais têm uma extensa pesquisa e conhecimento sobre o entendimento das categorias identificadas socialmente, assim como sua organização e estratificação na sociedade. A construção história e o usos de termos como “raça”, e suas implicações, fazem parte do dia-a-dia do sociólogo, mas não dos engenheiros.

·  A análise quantitativa de dados, base de sistemas de machine learning, por exemplo, seriam beneficiadas com os protocolos já em uso na pesquisa social. Seu objetivo é exatamente identificar padrões e intenções que levaram à coleta dos dados, evitando armadilhas.

·  A sociologia exige reflexão para os métodos de análise qualitativa de dados, com um foco bem claro na percepção da influencia do observador sobre o ambiente pesquisado. Algoritmos buscam exatamente a capacidade de transcender a analise quantitativa e chegar à algum ponto próximo à subjetividade. Um espaço em que os pesquisadores da área de sociologia conhecem bem.

O artigo reconhece o esforço dos engenheiros em incorporar nos algoritmos valores alinhados com os da humanidade, mas que é excepcionalmente difícil definir e codificar valores tão fluidos e contextualizados como os ligados às pessoas.

Aprendendo a não fazer: uma visão antifrágil

5 de agosto de 2019 Posted by Negócios, Tendências 0 thoughts on “Aprendendo a não fazer: uma visão antifrágil”

O segredo das organizações capazes de enfrentar o caos e crescer na desordem.

A desordem faz parte da vida e as empresas sofrem seus efeitos tanto quanto as pessoas. Flutuações do mercado, cenários econômicos turbulentos, eleições surpreendentes e fenômenos imprevisíveis da natureza atingem as organizações com frequência acima do desejável e exigem de seus gestores respostas certeiras. Quantas grandes organizações sucumbiram às mudanças nem tão imprevisíveis assim das últimas décadas? Kodak, Mesbla, Blockbuster, Solomon Brothers… São inúmeras. De algumas falamos aqui.

O ensaísta (e megainvestidor) Nassim Nicholas Taleb não as poupa: fracassaram por serem frágeis. Eram corporações cujo tamanho levou à rigidez. O oposto, para o pensador, não são empresas robustas, embora estas também existam em quantidade, reconhecidas por sua resiliência. Em contraponto às empresas frágeis, Taleb criou o termo antifrágil, apresentado em 2012 (do qual já também já falamos neste artigo) e que, desde então, vem ganhando espaço.

A pressão e a desordem fortalecem as empresas antifrágeis. Grandes organizações não gostam de volatilidade, incerteza e aleatoriedade. Ainda assim, vivemos em um mundo de recorrentes disrupturas.

Taleb infere algumas reflexões para grandes e pequenas:

  • Identifique o que não fazer: no longo prazo, errar menos é mais importante que acertar mais. Tentativa e erro é um método aceitável de aprendizagem, desde que os mesmos erros não sejam cometidos duas vezes. Elimine o que não funciona, troque os maus hábitos por boas metodologias de trabalho;
  • Aprenda com os sobreviventes: em vez de apostar nas tendências da moda, gestores devem investir mais tempo estudando os modelos de boas e velhas companhias, como a IBM, Ford, GE e McDonalds, que demonstraram saber responder aos desafios e crises ao longo das décadas;
  • Não aposte tudo de uma vez: em um mundo VUCA (acrônimo em inglês para Volatility, Uncertainty, Complexity e Ambiguity, ou seja, Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade), pense primeiro no que poderia dar errado e nas probabilidades de sucesso ou não. Não desafie a realidade, ela é imbatível.

Lembre-se: a natureza é um exemplo de sistema antifrágil. A evolução não funciona em sistemas estáveis e as mutações são necessárias ao avanço das espécies. É num ambiente similar de negócios que empresas prosperam e ganham musculatura ao enfrentar os sempre novos desafios. Startups e seus métodos ágeis já aprenderam e cobiçam o mercado ocupado por gigantes ainda presas em um mundo com foco em gestão de custo ou preço, e não de valores e relacionamento. Não devemos resistir às incertezas, mas usá-la.

Humanos versus robôs: superando o medo de sermos superados

25 de julho de 2019 Posted by Pessoas, Tecnologia, Tendências 0 thoughts on “Humanos versus robôs: superando o medo de sermos superados”

Computadores e máquinas são cada vez mais sofisticados e eficientes. Mas os humanos têm seus diferenciais. 

Há tempos os robôs deixaram de ser frutos da inventividade de autores, roteiristas e diretores, para se tornarem peças reais do cotidiano. Sejam eles equipamentos com a capacidade de se locomover, desempenhar tarefas mecânicas, identificar coisas e até mesmo falar, ou supercomputadores dotados de algoritmos complexos, os robôs estão por aí. E são melhores que nós em muitas habilidades. 

O receio de um dia sermos superados e dominados pelas máquinas é reforçado a cada avanço da tecnologia. Em uma visão menos apocalíptica, mas bastante pé no chão, parece dado que muitas atividades ainda desempenhadas por humanos serão assumidas, cedo ou mais cedo ainda, pela automação. 

O principal conselho de especialistas aos que mais se preocupam é desenvolver habilidades que dificilmente computadores ou robôs poderão superar. “Quanto mais habilidades, conhecimento e experiência você tiver, menos chances terá de ser substituído ou automatizado, então adquira o que puder, o mais rápido que puder”, enuncia Larry Alton, em artigo na Forbes, entre as formas de nos prepararmos para a iminente “revolução robótica”. 

Outros itens a nos distinguir e que são predicados valiosos são, por exemplo, a adaptabilidade e a sociabilidade. Vale investir no desenvolvimento desses traços, como discorre Adam Waytz em seu livro “The power of human”.  

A adaptabilidade consiste na capacidade de reagirmos aos imprevistos, de sermos flexíveis. Os computadores e robôs são muito bons em repetir atividades milhões de vezes (e sem se cansar), mas ainda é vantagem nossa conseguirmos nos adaptar diante dos mais específicos cenários.

A sociabilidade, por sua vez, se relaciona à inteligência socioemocional. Mais do que quaisquer animais, e que dirá do que as máquinas, os humanos têm habilidades de compreensão de emoções, empatia, entrosamento e colaboração, enfim. 

Waytz apresenta ainda um contraponto, tratando de como os esforços tanto para se adaptar a um mundo mutável e exigente, quanto para lidar com a sociabilidade como imperativo do mundo profissional, podem ser exaustivos e desgastantes. Aí entra outro diferencial humano, um luxo ao qual as máquinas não se dão: o lazer. Ao perguntar, em uma de suas pesquisas, o que um humano pode fazer e um robô não pode, o pesquisador obteve entre várias respostas a sua preferida: “a mente de um robô não pode vagar”. 

Aí reside um alívio para as pressões – que resultam, o mais das vezes, na piora do desempenho – e um trampolim para a produtividade. Muitas organizações incentivam o lazer para evitar casos cada vez mais comuns da síndrome de burnout e outros males advindos da cultura do trabalho incessante. Além do mais, diversas pesquisas apontam que a distração mental está diretamente associada a benefícios cognitivos, como o incremento da criatividade. 

O próprio Waytz, em estudo recente em parceria com a psicóloga Meghan Meyer, mostrou que pessoas bem-sucedidas em atividades criativas têm maior capacidade de pensar além do aqui e agora. Portanto, indivíduos versáteis, com maior diferencial competitivo. 

A capacidade de comunicação sofisticada também é um campo no qual levamos vantagem. Embora haja tentativas de criação de “robôs autores” e o uso de algoritmos para a disseminação de notícias e conteúdos seja algo comum – assunto que já tratamos aqui – ainda somos muito melhores em nos comunicar de forma convincente. 

E, fazendo o uso dessa habilidade, esperamos tê-lo deixado, caro leitor, mais tranquilo em relação à supremacia dos robôs. Ainda somos imbatíveis em muitas coisas, sobretudo naquilo que nos distingue de todas as outras criaturas e inventos. 

Algoritmos contra o preconceito

12 de julho de 2019 Posted by Pessoas, Tendências 1 thought on “Algoritmos contra o preconceito”

Universidade desenvolve ferramenta para reduzir risco de resultados discriminatórios em sistemas de Inteligência Artificial.

Um dos maiores temores em relação à disseminação da Inteligência Artificial é a limitação de acesso ao processo de aprendizagem – cada vez mais complexo, como nos cérebros humanos – e consequente incerteza em relação aos resultados. Com algoritmos exponencialmente sofisticados, como os usados nas máquinas de deep learning e suas redes neurais, é muitas vezes impossível acompanhar o “raciocínio” seguido até determinada solução. Um desafio ainda maior devido à acelerada adoção de sistemas de machine learning nas áreas de segurança, educação, finanças e negócios, entre outras. Enquanto a maioria dos softwares são codificados com lógica programável, ou seja, respondem conforme os parâmetros determinados por seus programadores, não é possível saber exatamente qual é o processo pelo qual alguns algoritmos de IA passam até que cheguem às suas conclusões. São os sistemas black box, que já falamos aqui.

As máquinas com capacidade de aprender o fazem a partir de informações recolhidas previamente, das quais sairão os parâmetros para predições, ações e reações. Mas, por mais “independentes”, esses dispositivos são programados e alimentados por humanos e seus dados. Eles carregam vieses pessoais, visões de mundo e distorções. Como resultado, o risco de sistemas preconceituosos ou discriminatórios.

Um famoso estudo de pesquisadores das universidades de Virginia e Washington mostrou como sistemas de identificação de imagens rotularam como sendo de mulheres imagens de homens na cozinha. Afetadas pela tendência registrada em seus bancos de dados, as máquinas reproduziram um estereótipo comum entre os humanos. Situações semelhantes já foram encontradas em programas para identificar suspeitos, por meio de reconhecimento facial, e outros.

Pesquisadores da Penn State e Columbia University acabam de apresentar uma ferramenta com o objetivo de identificar discriminação indesejável nos sistemas de inteligência artificial.

“Sistemas como este são treinados por uma imensa quantidade de dados, mas se os dados são enviesados, eles afetarão o resultado”

Vasant Honavar, professor da Penn State, cita como exemplo um algoritmo destinado a identificar os melhores candidatos para uma vaga de emprego, baseado em determinadas habilidades. Mas como os dados trazem uma série histórica em que mais homens foram empregados, no passado, o sistema tem a tendência de também privilegiar os homens em detrimento das mulheres. “Não há nada de errado com os algoritmos, eles fazem o que devem fazer, mas os dados usados aumentam o potencial para recomendações injustas. Se nenhuma mulher foi contratada no passado para determinada posição, é provável que o sistema não recomende mulheres para uma nova vaga no futuro”, completa o professor.

A menos que modificações sejam introduzidas nos algoritmos, como as desenvolvidas pela universidade. Os cientistas testaram o novo método usando diversos tipos de dados disponíveis, como a renda e demografia do censo norte-americano. A ferramenta de inteligência artificial foi capaz de detectar o risco de discriminação atribuído a determinados atributos, como gênero e raça.

Sobre bancos, dados e bancos de dados…

25 de junho de 2019 Posted by Negócios, Sem categoria, Tendências 0 thoughts on “Sobre bancos, dados e bancos de dados…”

Dados bancários pertencem aos clientes e não às instituições financeiras.

É cada vez mais claro para o mercado a importância dos dados para os negócios. Todos os dados, embora nem sempre seja fácil para o usuário perceber o valor de um like descompromissado ou de um “Aceito os termos” clicado automaticamente. Dinheiro, entretanto, muda o jogo e pensar nos dados bancários e financeiros nos ajuda a entender: são informações de valor real e visível.

Há uma disputa de conceitos sobre como lidar com esta mudança. Uma corrente defende o mais amplo e diversificado uso de dados para a maior comodidade dos usuários, e outra alerta para o fato de que eles pertencem a estes usuários e, por isso, devem servir a eles e serem protegidos.

Um dos setores com maior resistência a liberar o acesso é o financeiro, com seus vastos e preciosos bancos de dados sobre os clientes. Uma nova tendência, consolidada no Reino Unido e em crescimento nos Estados Unidos, Austrália, Japão e União Europeia, promete mudar esse panorama. Com o chamado “open banking”, os dados armazenados por um banco poderão ser compartilhados com outras instituições financeiras, como startups e fintechs, bem como ser migrados para outros bancos com facilidade. 

O Banco Central do Brasil publicou em abril um comunicado apontando as diretrizes para a regulamentação do open banking no Brasil. A normativa determina quais dados devem ser compartilhadas, em um primeiro momento entre instituições financeiras, tais como dados cadastrais, informações sobre transações, aplicações financeiras, produtos e serviços oferecidos, entre outros. A implementação concreta dessa modalidade, de acordo com o plano do BC, deve começar apenas no segundo semestre de 2020. 

Embora não plenamente regulamentado, o open banking já tem seus exemplos no Brasil. O Banco do Brasil permitiu a partir de 2017 a integração com o Conta Azul, sistema de gestão online de finanças para pequenas empresas, e o Bxblue, que compara opções de crédito consignado. Apps de screen scraping, também se estruturam nessa lógica, para permitir a seus usuários visualizar informações sobre contas e cartões.

Desafios da tecnologia 5G

23 de junho de 2019 Posted by Negócios, Tecnologia, Tendências 0 thoughts on “Desafios da tecnologia 5G”

Nova geração promete mudar a vida de todos, mas há empecilhos a serem enfrentados.

Distante da linha de frente dos avanços tecnológicos da atualidade, o Brasil experimenta nos últimos anos a implementação da quarta geração mobile, chamada de 4G. Longe dos padrões norte-americanos, europeus e asiáticos, seguimos no aguardo pela ampla disponibilidade de mais velocidade e melhor desempenho em nossas redes, como tratamos em outro post.

Enquanto isso, Estados Unidos, Coreia do Sul, Japão e China encabeçam a lista dos países da nova geração móvel. As expectativas são altas. Muitos consideram a mudança equivalente à introdução da eletricidade ou da própria internet na civilização. Algo da magnitude da revolução industrial.

Os aparelhos 5G tornarão possível o que tem sido chamado de Internet das Coisas (IoT). Estes dispositivos, dotados com elevada capacidade de processamento e conectividade, permitirão novos patamares de integração e personalização. Carros autônomos, cirurgias remotas também são exemplos de avanços esperados com o advento do 5G.

Mas enquanto as benesses saltam aos olhos, seus efeitos colaterais despertam a atenção de pesquisadores. Estudo publicado na Revista Nature, por exemplo, apontou que o aumento na quantidade de conexões 5G pode interferir nos sistemas de meteorologia. Isso porque os satélites que monitoram a concentração de vapor de água na atmosfera nos Estados Unidos funcionam em uma frequência de 23,8 gigahertz, e a faixa reservada para as redes 5G está entre 24,25 e 25,25 GHz. Operando em frequências tão próximas, pode ser que haja interferência, prejudicando não só as previsões do tempo nos EUA, mas também ao redor do mundo, dado que agências meteorológicas ao redor de todo o mundo se valem do dados gerados pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês). O desafio aqui é criar maneiras de impedir esse conflito.

O aumento no consumo de energia e a consequente emissão de poluentes é outra efeito indesejado. Somando-se o que consomem centros de processamento de dados, aparelhos e redes vinculados a eles, chegamos a uma porção de 5% a 9% do consumo mundial de energia, e 2% dos níveis de poluição global. Se considerarmos que a nova geração demandará mais armazenamento e maior capacidade de processamento, os valores tenderão a aumentar, a não ser que os aprimoramentos consigam, como é desejável, aumentar a eficiência e diminuir os impactos negativos no ambiente.

Além do mais, a chegada do 5G exigirá a adoção de aparelhos mais potentes, o que significará milhões de dispositivos obsoletos descartados, aumentando a massa de resíduos, com muitos componentes que não são recicláveis ou degradáveis.

Daqui, seguimos aguardando o momento em que poderemos desfrutar das inúmeras vantagens da quinta geração mobile. E também torcendo para que, até lá, já tenham conseguido minimizar seus malefícios.

Internet móvel: qual é o G da questão?

14 de junho de 2019 Posted by Tecnologia, Tendências 0 thoughts on “Internet móvel: qual é o G da questão?”

Entenda as diferenças entre 3G, 4G e 5G, as gerações da conectividade mobile.

Enquanto muitos ainda usam o termo 3G para se referir genericamente à internet móvel dos celulares e muitos aparelhos já contem com a tecnologia 4G, as novas tendências já apontam para um mundo 5G. Em suma, as siglas representam as gerações de tecnologia mobile. Entre cada uma delas, há diferenças significativas, que carregam avanços e promessas.

A conexão 3G abrange a quase totalidade dos municípios brasileiros (97,3%) e dos usuários de telefonia celular no país (99,6%), segundo levantamento da consultoria Teleco, e foi a grande responsável pela popularização do acesso à conexão móvel por aqui. Tecnicamente ela privilegia a transmissão de dados de voz (como os áudios do Whatsapp) e serviços de navegação em sites, uso de apps online e downloads.

A quarta geração, embora esteja disponível oficialmente em 81% das cidades, ainda não alcança níveis satisfatórios no Brasil. Com uma velocidade média de 19,67 megabits por segundo, ela atinge apenas o dobro do desempenho do 3G (8,82 Mbps) e não chega nem perto dos níveis dos líderes do ranking mundial: 37,54 Mbps da Coreia do Sul para redes 3G e 44,31 Mbps de Singapura no 4G.

Também chamada de LTE (Long Term Evolution), a rede 4G é mais veloz e possibilita um maior número de pessoas conectadas simultaneamente sem a perda de qualidade do sinal. Nela, os dados são transportados em frequências variadas, tais como o trânsito em uma via com várias pistas: quando uma está congestionada, os veículos mudam de faixa e seguem seu caminho.

Nessa conexão é priorizado o tráfego de dados (texto, áudio, vídeo e fotos), ao invés do tráfego de voz da geração anterior. 4G+ e 4,5G são nomenclaturas mais mercadológicas que técnicas, por se tratarem tão somente de aprimoramentos e melhoras de desempenho em relação ao padrão 4G.

A era 5G está começando, mas é ainda incipiente. Ela deve possibilitar maior velocidade de download e upload, conexões mais estáveis e cobertura mais ampla. Justamente por isso, é essa tecnologia que promete contribuir na integração dos mais variados objetos na chamada Internet das Coisas (IoT), da qual já falamos em outra oportunidade.

Mas, para viabilizar essa maravilha tecnológica, especialistas apontam que pode haver um custo alto, não apenas de investimento financeiro. Efeitos ambientais e interferência em satélites são alguns dos efeitos colaterais. Falaremos sobre as expectativas e controvérsias no próximo artigo.

O futuro dos direitos autorais

4 de junho de 2019 Posted by Tecnologia, Tendências 0 thoughts on “O futuro dos direitos autorais”

Parlamento Europeu aprovou norma que levanta polêmicas no âmbito digital.

O aumento exponencial das possibilidades de produção, apropriação e circulação de conteúdo proporcionado pela internet tem levantado, nos últimos anos, uma série de questões, como é o caso da legislação que regula o direito autoral. Nunca tivemos, seja em volume, acessibilidade ou variedade, tanto material disponível ao alcance das mãos e dos olhos. E, com tamanha facilidade para acessar, copiar e editar textos, fotos ou vídeos, as regras então vigentes já não são mais suficientes para garantir os interesses tanto dos produtores quanto dos consumidores desse conteúdo.

A União Europeia, repetindo o que fez com a aprovação do GDPR (Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados, traduzido da sigla em inglês), saiu na frente e aprovou recentemente a Copyright Directive, conjunto de diretrizes a serem adotadas por seus países membros em matéria de direito autoral. Em meio a atualizações necessárias nos dispositivos legais que vigoravam desde 2001 – quando nem o Facebook nem o YouTube existiam, por exemplo –, alguns pontos geraram polêmica.

Um deles é o que vem sendo chamado pelos críticos de “filtro de uploads”. O artigo 17 da legislação determina que plataformas como o YouTube, por exemplo, teriam que obter junto aos detentores de direitos autorais as devidas permissões de uso para veicular conteúdos publicados por usuários sem autorização prévia – como um vídeo contendo uma música . O principal questionamento em relação a essa determinação é o de que ela poderia levar à censura na rede ou à exclusão de materiais adequados por engano. Há também a possível inviabilização de plataformas menores de obter todas as licenças necessárias, ao que os defensores destacam que as regras são mais brandas para esses casos.

O “imposto de link”, artigo 15, é outro foco de queixas. Ele estabelece que plataformas que reproduzem reportagens ou notícias de determinados agências, jornais e emissoras de rádio ou TV tenham que pagar uma quantia ao gerador do conteúdo. Google e Facebook, por exemplo, teriam que desembolsar certo valor para cada link de um site de notícias que aparecesse em seus feeds.

O time de nomes que se posicionaram contrariamente às novas regras – que devem ser adotadas pelos países membros da UE dentro dos próximos 24 meses – tem peso. Entre os detratores estão Tim Berners-Lee, chamado de “Pai da Internet”, Jimmy Wales, fundador da Wikipedia, e Mitchell Baker, presidente da Mozilla. Grandes corporações do segmento engrossam o coro, junto de entidades e personalidades defensores de uma internet livre e mais democrática. Autores e editores fazem o contraponto, em busca do faturamento decorrente do uso de sua produção.

É provável que a discussão em torno desses pontos continue por um tempo. Enquanto isso, o mundo todo estará de olho, afinal é o que tem acontecido nas últimas grandes discussões legais sobre as novas tecnologias. Os europeus puxam a fila e, logo logo, a questão vem ocupar nosso parlamento até que vire lei.

(In)segurança na palma da mão

31 de maio de 2019 Posted by Pessoas, Tecnologia, Tendências 0 thoughts on “(In)segurança na palma da mão”

Preocupações com a segurança em dispositivos móveis deixam pessoas e empresas em alerta.

A comodidade proporcionada pelos computadores e dispositivos móveis, com seus aplicativos, redes sociais e algoritmos, não veio sem riscos. Um dos principais é a incerteza em relação a segurança de dados pessoais e corporativos. Em diferentes frentes de batalha as empresas, os programadores, as forças de segurança e os criminosos – dos lone wolves às quadrilhas internacionais financiadas por governos ou máfias –  exercitam sua criatividade e habilidade. Uns buscando aumentar a segurança digital, sem prejudicar a experiência do usuário e o desempenho das máquinas, outros criando ou investigando brechas para atacar os sistemas ou seus proprietários.

Uma das abordagens fraudulentas mais comuns e eficazes, por incrível que pareça, não é das mais elaboradas. Um relatório de 2018 da FireEye, companhia especializada em segurança, apontou que 91% dos crimes cibernéticos começam com o e-mail. A estratégia é demonstrar confiabilidade e, assim, conseguir que o usuário clique em um link ou forneça informações confidenciais, acreditando na boa fé ou na procedência daquela solicitação. A prática de phishing, mais especificamente, aumentou em 65% ao longo de 2017, obtendo mais sucesso em dispositivos móveis que em desktops ou outros equipamentos.

O hábito de utilizar de senhas fracas e de repetí-las em vários sites e apps é outra vulnerabilidade sobre a qual os cibercriminosos fazem a festa. O cenário fica tanto mais delicado quando observa-se que os usuários comumente repetem senhas em contas pessoais e do trabalho, e que muitas vezes compartilham essas informações com colegas ou familiares.

Segundo a Verizon,operadora de telefonia norte-americana, em 2017 senhas simples ou que tivessem sido roubadas foram responsáveis por mais de 80% das violações por hackers em empresas. E as pessoas muitas vezes não tem consciência da fragilidade dos códigos que escolhem: quase 70% dos participantes de uma pesquisa Google e Harris Poll avaliou positivamente a proteção de suas contas online, apesar de outras respostas da pesquisa demonstrarem o contrário.

Mas a conta dos riscos não deve ir toda para os usuários. A rede à qual os dispositivos móveis estão conectados determina e muito a segurança de sua utilização. Pode-se dizer que o aparelho está seguro em proporção semelhante à segurança da rede que utiliza. Muitas vezes as pessoas se conectam a redes públicas, pouco seguras, e deixam seus dispositivos vulneráveis, mas muitas organizações que deveriam utilizar VPNs (redes privadas virtuais) ou outros meios de proteção, não o fazem a contento.

A lentidão ou inexistência de atualizações em dispositivos também joga em favor da insegurança. Grandes marcas de tecnologia ou aplicativos mantém verdadeiros exércitos que disponibilizam atualizações frequentes para seus softwares, mas outras aplicações que aparentam menor importância (e cada vez mais presentes, com a evolução da Internet das Coisas) abrem brechas quando ficam desatualizadas.

O tema da segurança de dados é central, não apenas pela ótica das organizações que os coletam, mas também pela percepção das próprias pessoas em relação a sua privacidade e identidade. O Facebook, que perdeu US$ 100 bilhões em valor de mercado após o escândalo da Cambridge Analytics, bem o sabe. Assim como os milhões de pessoas com dados espionados pelo governo americano, no escândalo revelado pelo ex-analista da CIA, Edward Snowden, em 2013.

A presença crescente de dispositivos conectados ao nosso redor deve intensificar preocupações relacionadas à privacidade e à segurança. Esses equipamentos coletarão, a cada segundo, dados sobre nosso cotidiano, hábitos e consumo, elevando a outro patamar a já interconectada realidade atual.

E não para aí. De celulares e computadores iremos para geladeiras, carros e outros bens capazes de armazenar dados pessoais e sigilosos, próximos alvos dos cibercriminosos.

O blog de ideias da GoToData

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